Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 12 de agosto de 2011 e está arquivada em Haiml & etc..

O grande pai

Pelo que escrevo algumas vezes dou a pensar que não tenho religião, que não acredito em Deus, que não tenho fé em nada, que vejo o mundo apenas com olhos melancólicos, pessimistas, e isso me levou ao texto de hoje.
Pelo contrário, sou um fascinado pelo mundo, quantas vezes minha alma se emocionou de formas diferentes com a poesia que vejo e sinto por cantos e recantos da vida. Hai-kais fluem ao meu redor. Creio em milagres, tenho um diante de mim; um milagre que se desenvolve cada vez mais fascinante: minha filha. Uma criança nascida não é apenas um simples fato da natureza, é um ente que em todos os seus aspectos precisa muito ser cultivado, pois é mais do que mente e corpo, tem alma. E, se há alma, há algo mais, um ser maior se revela no fato.
Amo o mundo, quantas vezes me faz sorrir, me faz feliz, me maravilha em pequenos instantes, em grandes ocasiões, em rápidas ou contemplativas visões. O que me incomoda são os horrores e a degradação que o profanam todos os dias, as coisas que não entendo e questiono. Perturba-me ver no que um ser humano pode se tornar, ao me dar conta de que muitos da espécie, já desde o nascimento, nunca terão a chance de serem chamados de pessoas, e também o que somos capazes de fazer com nossos irmãos, e com os outros seres que compartilham conosco o mesmo lar.
Questiono também o sofrimento por que passam muitos os que não o merecem. Mas por questionar tais coisas, não quer dizer que não creia em Deus. Aí está a maravilha da questão: Ele permite que o questionemos. Lembremos que, por toda a Bíblia, os grandes nomes que a compõem levantaram suas vozes em indagações, bradaram contra Ele, contra suas ações, cobraram as injustiças que viam ou que sofriam, e entre tais temos o próprio Jesus “Pai, por que me abandonastes?”.
O Grande Pai permite que nos manifestemos e isso não nos afasta Dele, mas mostra-Lhe que estamos atentos, que estamos cientes de Sua presença. Questionar nem sempre é sinônimo de revolta, de negação. Ficar quieto não é dialogar com Deus. O questionar é também uma mostra de que Nele se crê. Os pais tem suas razões, e os filhos o direito de tentar entendê-las.
Se nos afastamos do Pai, é por buscarmos a saúde do corpo e da mente, o que é correto, e deve ser feito, mas acabamos por esquecer de algo tão ou mais importante, não preparamos os caminhos da alma, sensibilização essa que precisa iniciar-se desde a tenra idade. Prestigiar só o corpo, só a inteligência, ou só ambos, é existir longe da verdadeira vida, da essência do nosso Criador. Sim, creio Nele, e, como filho e pai, sei que Ele está a zelar por duas pessoas imprescindíveis para mim: meu pai e minha filha.

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