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Esta postagem foi publicada em 19 de agosto de 2011 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Uma coisa engraçada aconteceu no caminho para o Fórum

Do meu tuíter, @Plinio_Zingano – Se alguém tenta corromper você, é óbvio o que ele pensa a seu respeito. Mostre-lhe que está muito errado: não aceite subornos!

UMA COISA ENGRAÇADA ACONTECEU NO CAMINHO PARA O FÓRUM

Sim, sei, o título ficou grande, mas que fazer? Eu trouxe o nome de um filme (em tradução literal; no Brasil, foi diferente), uma comédia de sucesso da década de 1960, baseada num espetáculo da Broadway, estrelada por Zero Mostel e dirigida por Richard Lester, aquele dos filmes dos Beatles. É que a situação destas últimas semanas está levando o pensamento para esse lado. Coisas bem estranhas estão acontecendo no trajeto sugerido pelo título. Tudo está ficando no nível de comédia.
Por exemplo, lê-se nos jornais que um assassino, com 12 homicídios confessados, embora “só” seis lhe tenham sido legalmente imputados, após passar três anos internado numa instituição, por ser menor de idade quando das suas façanhas, agora, livre, está sob proteção federal. Tendo o nome dessa criatura vindo à baila como possível suspeito em um novo crime, quem saiu em sua defesa? O próprio Poder Judiciário.
Argumentou, pelos meios de comunicação, ser impossível a participação do anjinho no evento em questão. Ele, agora, está em local não sabido – devido à proteção –, regenerado e trabalhando num supermercado. Tchoin!!! Vejam o milagre! Esse guri, quando morava com a família, não aprendeu as mínimas regras de convivência com outras pessoas; aprendeu-as no cativeiro, junto com outros, também retirados da interação social por terem praticado atos fora da lei semelhantes aos seus. Deve ter tido aulas fantásticas. Em três anos, conseguiu mudar aquilo que, geralmente, se leva uma vida inteira de psicanálise para conseguir, e olhe lá!
Sugere-se ao judiciário não seguir a lei e permitir o enquadramento errado do pequeno homicida? Não. Espera-se que sejam seguidos os trâmites, sem parcialidade, pois, do contrário, estaremos fazendo propaganda de um assassino.
Em contrapartida, noutra comarca, um diretor de escola, não infrator, esteve às voltas com a polícia. Foi chamado à delegacia, por determinação daquele mesmo poder, para esclarecimentos sobre a prática de “delito de desobediência”. Teoricamente, não prestara informação sobre um menor que, supostamente, estivera em sua escola.
Tempos atrás, escrevi, nesta folha, que chegaria o dia em que deveríamos fazer escolha entre duas possibilidades linguísticas: o poético “jovem infrator” ou o desagradável “velho pudibundo”. Afirmava, então, que a preferência recairia sobre “jovem infrator”. O diretor chamado à polícia fui eu e, até agora, espero uma defesa pública. Claro, não haverá! Eu represento os pudibundos da história.
O que mais incomoda neste caso, não é a delegacia. É o motivo. Em nome de uma coisa louvável, a proteção das crianças, nós, os pudibundos, passamos a ser cobrados como responsáveis por todos os desvios. A conclusão é: ou a lei não é boa, ou está sendo aplicada de maneira unilateral.
Para encerrar, informo: em tempo hábil, eu havia atendido a determinação judicial. Provavelmente, no caminho para o fórum, alguma coisa bem sem graça aconteceu e ela não chegou.

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