Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 23 de setembro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.

De Centralzinho a Presídio Modelo

Despertar a criticidade em quem cumpre pena intramuros é uma constante na rotina dos funcionários da Susepe. Fala-se muito em “ressocializar” sem, no entanto, ter o verdadeiro entendimento da palavra verbalizada. Prefiro sempre substituição de termos, no caso, a palavra “reflexão” se adequa mais ao público do cárcere privado. E essa palavra mágica (reflexão), somatizada às palavras “respeito, reconhecimento e comprometimento”, fazem toda a diferença no Presídio Estadual de Taquara, o Petaq. Através do diálogo entre administração (leia-se toda a equipe funcional) e contingente carcerário, se percebeu que estimular a reflexão dos apenados sobre o delito, ao mesmo tempo em que causa sofrimento interior também oportuniza avaliar as escolhas e renúncias advindas destas. Através do diálogo, os apenados perceberam que ocupar o tempo ocioso laborando traz benesses. Dialogando, veio o entendimento de que respeitar os funcionários e os demais apenados, e receber o mesmo tratamento traria tranqüilidade para os dois lados das grades e que, se comprometendo consigo mesmo provocando uma mudança homeopática individual e positiva, acabaria por contagiar o grande grupo. E essa prática associada a esse relato virou realidade. O Presídio que em um passado recente era conhecido e reconhecido como “Centralzinho”, passou a ser conhecido na atualidade como um Presídio modelo no RS. A fórmula para tal transmutação foi simples e natural transitando no campo do humanismo, dentro (ironicamente) de um espaço onde a maldade é pulverizada e os métodos sub-reptícios utilizados sem escrúpulos. A aproximação e interação da equipe se deu com o diálogo e parceria entre administrador e funcionários, esta harmonia e tratamento respeitoso e humanitário se estendeu aos apenados de diferentes regimes e suas visitas semanais. Quem conheceu o Petaq antes e depois, é testemunha ocular das mudanças ocorridas em poucos anos, mas com muito trabalho, persistência, respeito, reconhecimento e comprometimento. Este Presídio é a prova real de que “querer é poder” e que o impossível não existe, quando há interesses em comum e para o bem estar de todos. Em uma Casa Prisional o que é sine qua non é sem sombra de dúvida a segurança, mas esta só existe com a parceria “do todo”. E esse todo leia-se: funcionários (todas as equipes) e apenados (familiares). É um privilégio poder testemunhar o crescimento institucional e humano do PETAQ de Centralzinho a Presídio modelo. Que sirva de exemplo a outras Casas Prisionais, porque o que deu certo aqui… pode dar certo em qualquer outro Presídio, basta querer.
Ana Claudia Porto
Assistente Social da Susepe

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