Do meu tuíter @Plinio_Zingano — Deus foi bondoso comigo! Negou-me humildade, mas concedeu-me todas aquelas outras qualidades que a humildade me impediria de ter.
ESCRITORES
Tomei conhecimento do escritor norte-americano James Thurber (Dezembro 8, 1894 – Novembro 2, 1961) quando estava na 2ª série ginasial, em 1958, no Ginásio da Paz, em Porto Alegre. Foi por acaso, através de uma pequena fábula de autoria dele, A foca que se tornou famosa. Não lembro bem se era na disciplina de Inglês ou de Português. Por isto, toda a informação específica, aqui, não tem um valor muito preciso como depoimento histórico. Nem há essa pretensão. Trata-se, tão-somente, de uma reminiscência pessoal.
A importância de Thurber, para mim, foi tal que, no dia em que o li, pensei: “sensacional; como pode alguém bolar uma história tão estranha e tão divertida?”. Tratava-se da fábula sobre uma foca sem nenhuma vontade de continuar vivendo como vivia. Ela estava, como se diz, de saco cheio. Não aguentava mais ficar apenas nadando e só encontrando outros animais iguais a ela. Por isso, juntou-se a um circo para conhecer o mundo, tornando-se uma famosa equilibrista. Todos nós, quando pensamos em focas, logo imaginamos circos e bolas equilibradas no focinho, não é? Além do mais, a heroína desse texto, vaidosamente, passou a crer que o selo dos Estados Unidos, The Great Seal of The United States (símbolo semelhante ao Selo Nacional e ao Brasão de Armas brasileiros), era uma homenagem a ela. Em inglês, “selo” e “foca” é a mesma palavra (seal). No fim da história, numa trágica ironia, a foca morre afogada.
Atualmente, cada vez que releio aquele texto, já não penso como na adolescência. A foca perdeu o encanto dos meus treze anos. Porém, foi decisiva na minha concepção de como gostaria de trabalhar mais tarde, quando me tornasse “di maior”. Eu seria escritor de ficção, criando aventuras, imaginando ações longes da realidade, inventando a própria realidade. Queria ser um mentiroso que as pessoas admirassem. Não é esta a grande qualidade de boa parte dos escritores? Mentir. Ou vocês nunca haviam pensado neste porém? E assim é. Embora não seja propriamente um escritor, tenho vivido às voltas com redação, às vezes mentindo, às vezes puxando pela memória, como agora.
A crônica de hoje é altamente introspectiva e nenhum dos meus leitores tem obrigação de saber estes detalhes da minha vida. Por outro lado, sei que muita gente gosta de saber de fofocas sobre jogadores de futebol, atores de televisão e, bem,… escritores. Como disse acima, não tenho a pretensão de criar qualquer impacto nas letras brasileiras, mas aqueles que gostam de meus textos, e quem os detesta (neste caso, é fácil dar um jeito: basta não ler!), já conhecem um dos responsáveis por eles: James Thurber. Na verdade, minha intenção é prestar uma homenagem a esse moderno Esopo/La Fontaine.


