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Esta postagem foi publicada em 14 de outubro de 2011 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Professores

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Há uma doença que todos por ela atingidos querem que progrida sempre mais. Chama-se “velhice”.

Professores

Amanhã é dia do professor. Datas tipo “dia do” se prestam para uma categoria profissional – ou não profissional – entoar loas a si própria, mostrando o quanto seus membros são melhores que os de outra categoria. Mas não só isto! Tentam mostrar ao resto da sociedade as crueldades e injustiças cometidas contra os componentes daquele grupo. Como o resto da sociedade certamente se enquadra em algum tipo de categoria, sempre haverá uma possibilidade de algum de nós ser vítima de preconceitos e opressões. Os sindicatos sabem muito bem disso e capitalizam a seu favor, dando à capitalização o nome de “luta”. Por isto, numa jogada de márquetim, todos querem ter um dia específico no calendário das promoções sociais. É a famosa brasa puxada para o nosso assado. Ou seja, não importa a qual grupo pertençamos, ao longo do ano, seremos lembrados em algum “dia do” especial. É importante nossa categoria ter boa visibilidade pública!
Volto à primeira frase do texto: amanhã é dia do professor. Mas de quais professores estarão falando todos os encômios a serem proferidos nas homenagens? Dos professores da escolinha de futebol?; dos do curso de inglês?; dos do curso de eletrotécnica?; dos de música?; dos de pintura?; dos de artes marciais?; dos de informática e de todos os outros cursos a que se assistem de maneira voluntária? Ou dos professores da escola a que se tem de ir todos os dias, faça chuva, sol, frio ou calor, mesmo quando a cama não quer desgrudar das costas dos alunos ou quando eles querem bater uma bolinha no campo ali da esquina? Diz a experiência que todos elogiarão e lamentarão os últimos. Nós seremos tratados como verdadeiros anjos, salvadores da pátria, porém incompreendidos. Digo “nós” porque estou entre estes. Sou professor que, concomitante com a direção de um projeto revolucionário na educação do Vale do Paranhana numa escola, ainda olha o aluno nos olhos em outra. Estou em sala de aula em sétima e oitava séries. Por isto, quero deixar um testemunho pessoal, que, sei, será compartilhado por muitos colegas em relação a si próprios.
Sinto-me bem na profissão. Sou prestigiado pelos alunos, pois não lhes dou margem para outra coisa. Meus alunos sabem que, diante de mim, vão receber algo bom para a sua formação e vale a pena esquecer a pelada no campinho por algumas horas. Eles sabem que, embora todos aprendam tudo com todos e o conhecimento de mundo seja importante, na escola quem ensina sou eu. Não eles.
Na realidade, não inventei nada nem estou acima de outros. Apenas estou imitando os professores do primeiro grupo, nunca lembrados nas homenagens. Os alunos gostam deles porque sentem sua utilidade. Eu me esforço por ser útil.
Viram? Nem falei em salários!

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