Cultura e Lazer

Lulu Avisa aos Navegantes a Condição para a Cura em Tempos Modernos

Quando uma certa more­na cruzou meu caminho numa madrugada virtual há alguns meses, pensei que poderia ser A Cura para

Quando uma certa more­na cruzou meu caminho numa madrugada virtual há alguns meses, pensei que poderia ser A Cura para a mi­nha Condição de ser o Últi­mo Romântico nos mares do sul. Não foi, e uma coisa que fiquei devendo foi ver um show do Lulu Santos com ela, o que deveria ter ocor­rido na última sexta-feira na Oktoberfest.

Ela já está em outra, mas eu acabei vendo um show que, pelo menos para mim, cumpriu o que deve ser um bom espetáculo de música. Digo isso porque foi com surpresa que ouvi colegas dizerem que Lulu não tinha agradado. Eu, pelo menos, devo ter visto outro show, pois me lembro de ver mui­ta gente dançando, aplau­dindo e cantando os refrões dos principais sucessos do cantor e compositor cario­ca. Como bom polemista que sempre foi, Lulu mos­trou sua capacidade de se reinventar sem ligar para rótulos e preconceitos, adi­cionando ao pop-rock rit­mos bem brasileiros, como o baião e o samba, subver­tendo algumas de suas prin­cipais composições a ponto de ficarem reconhecíveis apenas pelas letras.

E isto talvez explique porque alguns, ou muitos, não gostaram do show. Quem não é fã de carteiri­nha acaba se decepcionan­do ao não ouvir a música que estava acostumado a conhecer, mesmo que só a ouvisse em rádios e festas retrô. Como bom sobrevi­vente dos míticos anos 80, talvez eu seja mais maleável a estas novidades, a ponto de gostar de ver um artista consciente de que velhos hits podem sim render no­vas emoções.

Em uma hora e meia de show (foto), Lulu Santos cantou praticamente todos seus principais sucessos, a maio­ria, claro, dos anos 80. Mos­trou seus dotes de guitarris­ta, mas soube abrir espaço para a excelente banda que o acompanha, com desta­que para a capacidade vocal e sensualidade da backing Andrea Negreiros. Antes do final, o cantor proporcionou ainda um momento de pu­xa-saquismo explícito com um breve discurso sobre a ação da Argentina contra o calçado brasileiro.

Nada, no entanto, que tirasse o brilho do show, afinal de contas…

Não nos custa insistirNa questão do desejoComo uma idéia que existe na cabeçaE não tem a menor obriga­ção de acontecer

Vamos viver tudoQue há pra viverVamos nos permitir…

Por J.A. Müller

dedicado a J.

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