Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 18 de novembro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Inter-relacionamento pessoal: eu curto

Com o passar dos anos, inevitavelmente, os seres humanos mudam. E mudam porque o meio, a sociedade da qual fazem parte e o mundo sofrem transformações de toda ordem.
Lembro do tempo em que, quando criança, jogava futebol nas ruas e taco-bola nas calçadas. Época boa, de amizades fáceis, sinceras e reais. Faço parte da geração Coca-Cola, que, sob o prisma tecnológico, talvez tenha sido a que acompanhou mais fortemente às transformações tecnológicas, a verdadeira metamorfose digital havida no planeta, em especial nos últimos vinte anos.
A toda a evidência, as relações humanas mudaram abruptamente a partir da popularização da internet, oportunidade a partir da qual pudemos, dentre outros benefícios, minimizar distâncias, otimizar o tempo, aperfeiçoar técnicas e expandir horizontes.
Ocorre que, como sói acontecer nas relações humanas, tudo o que se apresenta em demasia tende a ser prejudicial.
Nessa linha, não podemos nos esquecer que a vida ainda é uma só, pelo menos em se tratando das mesmas circunstâncias de tempo e espaço. O atual Facebook e o já ocioso Orkut não podem ter o condão de suprir esta necessidade básica (e que nos é inata) de se envolver, entrosar, de conviver mais física do que virtualmente.
Impressiono-me com a falta de trato direto e não somente virtual entre as pessoas, cada vez mais ocorrente nos dias atuais, fruto, na maioria das vezes, do assoberbamento de tarefas que a dinâmica dos cenários (econômicos e labutares) nos impõe. Contudo, a matemática da experiência ensina que mil amigos virtuais não podem valer mais do que uma só amizade real e sincera.
Com amigo meu eu gosto é de rir alto, como quando ganhávamos um campeonato de taco-bola, ou quando fazíamos um gol no portão de alguma casa qualquer; apenas “compartilhar”, com a escrita, um “LOL” (algo como “rindo alto”, em internetês) é privar-se de emoções que não mais regressam. Amigo meu eu gosto é de abraçar, não de “cutucar”. A vida pede mais inter-relacionamento físico e menos virtual: isso sim, sobretudo, é de se CURTIR.
Cassiano Vladimir Ebert

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