Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Mãe de aluna minha, zangada porque a filha estava estudando, mandou-a trabalhar. Enquanto isto, as autoridades acusam os professores!
VIVENDO E APRENDENDO
Nestes últimos dois meses de 2011, vivemos uma intensa experiência educacional aqui no Rio Grande do Sul. Há um projeto de mudança no ensino gaúcho, começando pelo 1º Ano do Ensino Médio. Tal mudança já rendeu brigas, principalmente, entre o sindicato dos professores e o Governo do Estado, fazendo muita gente rever conceitos acerca de promessas eleitorais e sua realização. Mas não é sobre eleições esta crônica.
Mesmo duvidando do sucesso da empreitada, vou esperar para ver o resultado. Não quero ser um desmancha-prazeres. Naquilo que estiver ao meu alcance, ajudarei. Pelo menos, as autoridades detectam problemas no sistema escolar e tentam fazer algo para melhorar.
Quero, entretanto, tecer um comentário sobre o assunto. Em primeiro lugar, a grande falha, de todas as tentativas, não só desta, é serem elaboradas por profissionais que já não olham nos olhos dos alunos. Não adianta responderem que são professores e sabem como agir com as crianças (estou me restringindo a alunos até o Ensino Médio – mas não só!). Processos de ensino decididos em gabinetes ou, quando muito, com turmas-piloto, com a logística afinadinha, não dão – afirmo -, não dão resultado na prática. Carecem de algo muito importante.
Em outubro, o tuíter de entrada desta coluna mencionava as educações coreana e japonesa, sempre lembradas como paradigmas a serem seguidos pelas escolas brasileiras para melhorar sua qualidade. Depois da publicação, acidentalmente, entrei num saite que apresentava desfiles militares daquela região do mundo. A palavra “militar” é, para muitos, como pó-de-mico. Dá uma coceira! Fora qualquer manifestação alérgica, assisti à evolução dos soldados. Centenas, como se fossem um só. Admirando as manobras executadas, vemos, ali, arte e beleza semelhantes ao balé ou ao nado sincronizado.
Pois informo: não é fácil conseguir aquela uniformidade. Em seis anos de Exército passei pelos mesmos desafios que, certamente, afligem os instrutores daquelas paragens. O desempenho atingido pelos soldados é conseguido à custa de muita disciplina e dedicação. Longas horas de ensaios, como os realizados pelas melhores orquestras e grandes companhias teatrais com aqueles fantásticos xous musicais.
Esqueçam que são milicos e pensem neles, representado um trabalho duro com um objetivo. Parece que esse sentimento perpassa, de uma maneira geral, os povos citados como exemplo para nossa educação. E, justamente isso, sempre falta nos nossos planos. Temos uma grande falta de disciplina. Não aquela de ficar quieto e não ter pensamento próprio. Refiro-me àquela de ser exigidos e cumprir com as horas de estudo, com o prestar atenção em aula, com a execução das obrigações escolares mesmo, e principalmente, extraclasse.
Uma sugestão ao governo: estabeleça os princípios de uma bem determinada rotina escolar. Então, começaremos a conseguir um bom resultado. Basta copiar os campeões dos vestibulares de escolas muito requisitadas. Esses sabem como é estudar.


