Se há uma lição que fica do caso em que um pedreiro (foto) matou uma criança de 11 anos em Igrejinha, é a de que não cabe fazer justiça com as próprias mãos. Convicto de que estava cometendo o crime perfeito e que nunca seria pego, Almir da Costa da Silva, 30 anos, decidiu matar o menino Juan Fernando Pires Padilha, 11 anos, dentro de sua própria casa, pensando que assim estaria “fazendo um favor” ao eliminar o que considerava ser um “ladrãozinho”.
Foi no final da tarde do último dia 15 que o pedreiro desencadeou seu plano de justiça pessoal. Almir invadiu a casa de Iara e agarrou o menino, levando-o para os fundos de sua própria casa, onde o matou com uma paulada e outros golpes dados com as próprias mãos na cabeça de Juan. Usando um caminho pelos fundos das casas vizinhas, o pedreiro carregou o corpo, enrolado num saco, até a cova que havia aberto duas semanas antes. Confiante de que havia cometido o crime perfeito, livrando o bairro dos furtos de Juan, Almir usou uma mangueira para lavar o sangue que espirrara nas paredes da sua casa. Entretanto, o fato de que o pedreiro já era mal visto nas vizinhanças por ser insociável e a história do furto do game logo o colocariam como suspeito número um da família do menino e dos demais vizinhos. A partir daí, uma investigação baseada em técnicas periciais levaria a Polícia Civil a elucidar o caso.
Trabalho técnico da Polícia Civil elucidou o caso
Informada do desaparecimento do meni¬no na manhã do dia seguinte, quinta-feira, a Polícia Civil de Igrejinha não levaria muito tempo para passar a investigar o caso como crime contra a vida. Mas, apesar de já ter o pedreiro como suspeito desde as primeiras horas, a pista definitiva só seria revelada no sábado, quando a família de Juan pela primeira vez confirmou que ele havia saído de casa sem as sandálias, o que indicaria que o sumiço não foi por vontade própria.
Com a localização do corpo na manhã do domingo, achado por um familiar de Juan, enterrado ao lado da trilha existente no fim da rua Berthalina Kirsch, o foco da investigação concentrou-se no pedreiro, o único que falava mal do menino e defendia um suposto autor do crime. Desde que foi interrogado pela primeira vez, ainda na sexta-feira, Almir referia-se ao caso como sendo um “crime perfeito”, repetindo que o menino merecia ter sido eliminado. Quando a notícia da localização do corpo se espalhou pelo bairro, dezenas de pessoas se aglomeraram no ponto inicial da trilha e também defronte às casas de Almir e de Juan. Na mesma tarde, policiais e o delegado Fabiano Berdichevski, titular da DP igrejinhense, entraram na casa do pedreiro e não saíram mais do local. Eles aguardavam a chegada de peritos técnicos que procurariam vestígios de sangue no pátio, o que somente foi feito no final da noite e começo da madrugada, pois era preciso contar com escuridão total para passar o produto Luminol, reagente que expõe as gotas.
Apesar de o primeiro exame não ter revelado sangue nas paredes, vestígios foram encontrados numa bota do pedreiro. Durante a madrugada da segunda-feira, Almir e familiares foram retirados do local e levados para a casa de parentes em outra cidade da região, uma vez que vizinhos ameaçavam invadir o local para linchar o pedreiro.
O que seria frustrante para a polícia, com o resultado negativo do luminol nas paredes, acabou ajudando a obter a confissão do as-sassino. Acreditando que não havia provas técnicas, Almir acabaria contando como planejou e matou Juan Padilha no que pensava ser uma conversa informal com um policial, dentro da DP, na tarde de segunda-feira. A Justiça havia concedido a prisão preventiva do acusado e enquanto aguardava o trâmite burocrático na delegacia ele finalmente revelou todos os detalhes do crime.


