Carnaval de Rua em Taquara é sinônimo de boa presença de público. Não tem sido diferente nos últimos anos e não deixou de ser assim em 2012. Como sempre se vê, a Júlio de Castilhos foi tomada por uma boa participação da comunidade, que se programou para acompanhar a folia de três escolas de samba e dois blocos convidados. Infelizmente, o evento terminou marcado por um homicídio, que pela primeira vez mancha a história do bonito evento popular mantido há décadas.
Desde que participo acompanhando o Carnaval de Rua, é sempre a mesma coisa. Atrasos, atrasos e atrasos. Infelizmente, não foi diferente neste ano, quando o evento marcado para as 21 horas começou somente uma hora depois. O mais grave, porém, foram os longos intervalos que novamente cansaram o público entre a passagem de uma escola e outra, fato que pode ser atribuído a uma série de fatores. O principal deles foi novamente o erro na escolha do veículo responsável pelo desfile de som. Para eventos como este, numa Júlio de Castilhos apertada, não se pode utilizar um caminhão de grande porte. Além de atrapalhar a visão do público em momentos de sua passagem, ele tem a locomoção dificultada, por seu próprio tamanho.
Quanto aos demais itens da infraestrutura, alguns serviços merecem ser melhorados. O equipamento de sonorização, por exemplo, teve algumas falhas, não comprometendo o todo do desfile, mas prejudicando a promoção em diversos momentos. Também aconteceram coisas boas: a infraestrutura de saneamento, com a disponibilização de banheiros químicos, funcionou. As atrações artísticas, porém, se mostraram, mais uma vez, um pouco distantes do contexto carnavalesco, voltando a colocar em xeque a sua contratação para eventos como estes.
Por mais contraditório que seja, afinal houve um homicídio durante o evento, dá para se apontar a segurança do evento como um dos itens que funcionou. Contou-se na rua Júlio de Castilhos com um efetivo de 70 policiais. Um número que não é baixo para eventos como este e que conseguiu controlar alguns casos de brigas. O assassinato trágico durante o Carnaval de Rua, lamentável sob todos os aspectos, foi, porém, um fato isolado.
O resultado final deste Carnaval de Rua voltou a levantar a discussão sobre a realização do evento por parte do poder público. Talvez esteja militando em sentido contrário às discussões vistas na internet durante o restante da semana, mas entendo que o evento deve ser mantido. A principal missão de um ente público é servir à população. Se grande parte da comunidade quer carnaval, haja visto o bom público que vem se fazendo presente em todas as edições, como deixar de realizar uma promoção como esta?
Vinicius Linden
Repórter em férias
Esta postagem foi publicada em 24 de fevereiro de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.


