No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, ainda que eu discorde dessas datas criadas com propósitos meramente comerciais, me veio à mente a imagem de uma senhora que encontrei à beira mar, de uns 70 anos ou mais, no mês de fevereiro. Sorridente, sob um sol escaldante de quase 40 graus, ela esbanjava simpatia e vitalidade, compartilhadas com uma amiga e parceira de caipirinha.
“Dia lindo, não?”, exclamou ela para mim, engatando uma conversa onde relatava que estava feliz porque tinha dormido na casa do namorado, depois te terem ouvido música e dançado em algum bar na noite anterior. O mais interessante foi que ela não abriu mão de ir com a amiga à praia no outro dia pela manhã, e sem o namorado.
Me confidenciou que assim é melhor, sem ciúmes e sem cobranças. Afinal, a vida está cheia de coisas boas para serem aproveitadas, na visão dessa senhora cheia de sabedoria para compartilhar e que confidenciou adorar a companhia de gente mais jovem para estar sempre atualizada.
Em outra situação, também à beira mar, um menino de 12 anos, com quem fiz amizade por lá, comentava que esperava a sua avó que tinha ido buscar o namorado na casa dele para aproveitarem a praia. Vejam só!
Fiquei analisando essa nova realidade de mulheres cinquentonas ou mais, avós, viúvas, solteironas ou separadas, enfim, pessoas de alma e mente rejuvenescidas, muito mais do que algumas jovens de 20 e poucos anos que eu conheço. Minha avó era considerada uma velha aos 45 anos de idade. Minha mãe tinha dois filhos aos 22 anos. E não se fala mais nisso porque naquela época era o que se esperava de uma mulher. Casar, ter filhos, ser avó (com sorte bisavó) e morrer em casa fazendo tricô, aos 60 anos de idade, no máximo.
Hoje, felizmente, testemunho essas novas vovós de biquíni na beira da praia, cheias de energia e namorando sem culpa e sem vontade de casar. É certo que isso assusta alguns homens ainda atordoados com o rumo tomado por essa mulherada. Certo também que muitos machos estão revendo seu papel diante do cenário estabelecido (sem volta, meninos). Mas nesse momento, só tenho certeza mesmo de que todos, homens e mulheres, adaptam-se e ajustam-se para transformarem-se em seres humanos mais livres e felizes, independentemente de gênero, reinventando e refazendo sua história de vida.
– Roseli Santos –
Jornalista


