Cultura e Lazer

Sapateiro mais antigo em atividade relata sua história, que se confunde com a de Taquara

Raymundo José Dalmi­na (foto), 80 anos, sapatei­ro há 56 anos, conta um pouco de sua trajetória, que nos últimos 53

Raymundo José Dalmi­na (foto), 80 anos, sapatei­ro há 56 anos, conta um pouco de sua trajetória, que nos últimos 53 anos se entrelaça com a história do próprio município que esco­lheu para viver.

Natural de Montene­gro, Dalmina se criou em Carlos Barbosa e mais tarde foi residente do Colégio Cristo Rei, em São Leopoldo, onde aprendeu os macetes de sua profissão. “Anexo ao co­légio havia uma fa­briqueta de cal­çados onde se produzia sapatos e também se consertava os mesmos para os alu­nos”, lembrou. Mais tarde ele retornou para a casa de seus pais e ficou ajudando em suas plantações, quan­do refletiu se era aquilo mesmo que gostaria de fazer pelo resto da vida. Foi quando o sapateiro ador­mecido desper­tou dentro de si. Após montar uma sapataria em Carlos Bar­bosa, no ano de 1959, Dalmina foi convidado por seu irmão Cel­so para conhecer a cidade em que estava trabalhando, que naquela época era muito conhecida por seu comércio próspero: Taquara.

Paralelamente ao seu ser­viço, Dalmina desenvolveu o dom de escutar o desabafo de alguns clientes. “Con­versando e trocando ideias, criamos amizades em que o retorno é muito gratificante. Tenho clientes de Parobé e Igrejinha, e até de São Leo­poldo e Porto Alegre”, disse. Sobre o futuro da profissão, o sapateiro ressalta que tudo se tornará mais descartável. “Acabou pode jogar fora. Conserto calçado de teimo­so” afirmou. Atualmente é mais barato comprar um sapato novo diz ele. “As fá­bricas podem usar um ma­terial de segunda, mas para manter a clientela, além de ser exímio na profissão, é preciso usar material de qualidade”, ensina. Questio­nado sobre o mercado atual, se o calçado chinês é literal­mente uma pedra no sapato, Dalmina responde sorrindo: “E bem pontiaguda”.

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