Um dos temas que preocupam o Vale do Paranhana é a falta de diversificação econômica na região. Historicamente, o Paranhana tem no setor do calçado sua principal fonte de desenvolvimento, geração de emprego e renda. Há cidades como Igrejinha, Parobé, Rolante e Três Coroas, em que o percentual de empregos gerados no setor calçadista ultrapassa os 60% do total de colocações. Em Três Coroas este percentual é maior que 70%. Isso significa que estas cidades e, por consequência, a região têm uma economia nada diversificada, o que determina uma dependência quase exclusiva dos movimentos do setor calçadista. Não é difícil, nem precipitado, constatar que o risco para o desenvolvimento econômico e social do Paranhana é muito alto.
Hoje a economia brasileira está estável, mas surgindo uma instabilidade a região logo será afetada. Ao mesmo tempo em que a indústria calçadista continua merendo cuidado e apoio, é a “menina dos olhos”, os munícipios precisam pensar em planos consistentes que visem a diversificação. É fundamental envolver a sociedade civil organizada, entidades representativa do setor produtivo, como é assim nomeado, ou seja, entidades como a CICSVP. Não basta investir num distrito industrial, não basta as instituições de ensino superior oferecerem cursos tradicionais como o de Psicologia e Enfermagem, sem desmerecê-los, é claro.
Diante do cenário, o Paranhana precisa algo maior no sentido da inovação. Outras regiões estão muito à frente, inclusive com incubadoras tecnológicas. O empreendedorismo precisa ser fomentado e é indispensável integrar, discutir e planejar com visão de longo prazo. A Agenda Paranhana 2020 está aí para ser uma espécie de centro de confluência de idéias e planos. Apesar de soar estranho, a Agenda não tem dono, é de todos. É uma proposta de mudança cultural, de co-criação, que precisa ser compreendida e apreendida por todos, especialmente por lideranças que detém poder de decisão e governam. O desafio está lançado, a trilha traçada e as ferramentas disponíveis a quem dispuser de vontade e que não seja muito apegado à vaidade.
Marcos Kayser
Empresário
Esta postagem foi publicada em 13 de abril de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.


