Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 25 de maio de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Despreparo

“Não to aqui pra ouvir bobagens de quem não tem o que fazer por causa de três reais”. A frase foi a resposta de uma atendente de loja de eletroeletrônicos e móveis em Taquara, de uma rede muito conhecida em todo o Estado, quando tentei ponderar sobre a taxa de juros usada pela empresa no pagamento de uma prestação paga com quatro dias de atraso. Além da surpresa, a resposta da funcionária provocou minha indignação ao constatar estar diante de alguém com total falta de preparo, falta de respeito e educação para ouvir a ponderação. Minha opção naquele momento foi chamar-lhe a atenção pelo destempero, cobrando-lhe respeito e educação, pois eu era um cliente que apenas queria ponderar e saber detalhes dos percentuais usados na cobrança da conta.
Estou citando o caso no sentido de alertar dirigentes lojistas e empresários que sistematicamente comentam que empregos existem, o que falta é a qualificação. Eles têm razão, pois raras são as exceções em lojas de comércio em geral em que os atendentes sabem exatamente o que vendem. Normalmente se limitam a informar o preço da mercadoria, o valor de desconto e nada mais. Não são vendedores, são simples atendentes que nada sabem sobre a arte de vender. Qualquer pergunta a mais sobre o produto, a resposta é evasiva e sem nenhum conhecimento a mais. A verdade, diga-se de passagem, é que os produtos de modo geral, principalmente eletroeletrônicos, vêm sofrendo uma evolução com uma rapidez incrível nos últimos anos, entretanto o mesmo não acontece com o atendente que parou no tempo, mas foi colocado na função porque alguém entendeu que ele é um vendedor.
Penso que qualificação não se resume ao manuseio de equipamentos, ao atendimento automático de clientes no recebimento de contas, etc.,etc. Chega a ser gritante a sisudez das pessoas que lidam com o público no comércio em geral. Poucos são os que sorriem, ou respondem com simpatia alguma dúvida do cliente. Em alguns casos o atendimento é sofrível, para não dizer deplorável quando o assunto exige conhecimento e trato com o público. Não há esforço algum para conquistar o cliente. Se formos citar outros exemplos, certamente teríamos uma infinidade de situações deploráveis que acabam comprometendo a boa intenção das empresas e seus dirigentes em relação à presteza e a qualidade de atendimento.
Longe de qualquer pretensão ou vaidade, estou fazendo estas observações como cidadão que já trabalhou no comércio, com o objetivo de colaborar e alertar os empresários que costumam investir valores consideráveis em mídia e o comportamento de seus colabores acaba comprometendo seus objetivos de conquistar o cliente. Alertar, também, o funcionário tão atuante nas reivindicações de melhores condições de trabalho, bons salários, mas esquecido da contrapartida necessária e justa para quem lhe garante o emprego.
– Herivelto Cunha –
Jornalista – Taquara

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