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Esta postagem foi publicada em 25 de maio de 2012 e está arquivada em Penso, logo insisto.

O bode expiatório

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – O negócio é ser mau. É um ato de sobrevivência. Todos já ouviram dizer que coisa ruim não morre.

O BODE EXPIATÓRIO

Não vou perder a oportunidade e meterei a minha colher também! Sim, o tema é o famigerado concurso para o magistério estadual cujo resultado tem chocado tanta gente, principalmente, as “autoridades”.
Na minha nada modesta opinião, o concurso cumpriu sua natureza: eliminou candidatos. Para isto eles existem! Alguém aí, romântico, crê em outro objetivo para um evento desta natureza? Pensar em concurso feito para selecionar os melhores e mais competentes futuros funcionários de uma determinada profissão é equívoco. Para quem pensa assim, digo, há algo de podre no reino da Dinam…, bem, na casa dos empregadores.
Um concurso serve para tentar eximir os prováveis empregadores da responsabilidade sobre suas escolhas e para dar uma aura de igualdade de oportunidades aos pretendentes a uma função pública (até a atividade privada está fazendo, porém não é este o nosso assunto agora). É, apenas, um preceito constitucional para demonstrar que todos são iguais perante a lei. Nesse quiproquó, ficaram enrolados os pretendentes a um emprego de professor concursado no Rio Grande do Sul.
Os candidatos foram reprovados em massa no último concurso, não por ausência de qualidade, como imaginou, inclusive, o Secretário de Educação, dando “aquela força” aos mestres. A reprovação aconteceu por falta de estudo. Aqueles que já atuam como professores não seguiram a máxima das escolas: “só passa quem estuda”. E, por isso, foram punidos, não conseguindo o sucesso. Entretanto, se é para falar de aptidão, meus colegas, na escola estadual onde trabalho, são ótimos naquilo que fazem. Não ter estudado, é uma questão de foro íntimo. Essa reprovação nada tem a ver com ser bom ou mau profissional, caro Secretário.
Não estou falando em causa própria, pois não participei do certame, embora lecione há dezesseis anos em caráter de contratado. Minha participação foi desaconselhada pelo preconceito etário da Constituição. Estou a dois anos do limite constitucional  para um concursado continuar no serviço público – 70 anos -, não importando a competência pessoal ou o juízo de um secretário. Depois dessa idade, a Constituição recomenda o ostracismo! Logo, eu não ultrapassaria nem o estágio probatório que é de três anos. Os comandantes educacionais, aqueles que já não lecionam há muito tempo, tentam encontrar responsáveis pelo que chamam de “má qualidade na educação”, elegendo um bode expiatório. O caprino da vez é o índice de reprovação no Ensino Médio. Esquecem esses gestores (a palavra está na moda) que os professores estão apenas atuando num teatro criado por um sistema em que nada pode ser exigido dos estudantes em termos de conhecimentos. Tudo fica apenas na dança e no esporte, exaustivamente mostrados em filmes publicitários na televisão. Como querer que um aluno boa qualquer qualidade escolar se nem a alfabetização pode ser cobrada dele?
Sabe onde vai estourar essa bolha, Secretário? Os professores de amanhã são alunos hoje (e também os médicos, os advogados, os arquitetos, os presidentes da república, …).

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