Está nos cinemas “O Corvo”, e logo (15/06), chegará “On the Road”. Trato desses filmes por ser para mim motivo de júbilo que produções baseadas em dois de meus autores mais revisitados, Edgar Allan Poe e Jack Kerouac, estréiem assim tão próximas.
Tive a honra de apresentar Poe e Kerouac a muitos, dei-lhes fãs e discípulos, quando organizei a lista de leituras da Literatura Universal, e lecionei por alguns anos tal disciplina no Curso de Letras da FACCAT. Creio que, inclusive, a FACCAT foi a primeira no Sul, e quem sabe no Brasil, a adotar no respectivo Curso, e em tal disciplina, Kerouac, motivo de orgulho para mim, pois “On the Road” está no Curso de Literatura Brasileira, do mestre Sergius Gonzaga, no rol dos mais importantes livros de todos os tempos. De Poe, esse é sempre indispensável nas literaturas universais, e sobre ambos organizei alguns eventos, e pus Poe, seu universo, como tema de um dos concursos literários, que por sua vez rendeu peças magníficas, pena que algumas delas não puderam ficar entre as premiadas, por fugirem da parte técnica exigida.
Sobre “O Corvo” o que me atrai é o diretor James McTeigue (V de Vingança), o ator John Cusack e a premissa de que Poe está na história, ajudando a capturar um assassino que usa nos crimes ideias de seus textos. Será que terá algo biográfico no filme? Tomara que sim, pois filmes baseados em obras de Poe há muitos, seria legal de ver a vida de um escritor que se tornou imprescindível aos textos policiais, detetivescos, satíricos, na ficção-científica, na aventura, no horror, na poesia e em tudo isso como ninguém usou o simbólico e psicológico. “O Corvo” de que falo, só tem em comum com a franquia iniciada em 90, com Brandon Lee, o mesmo título e Poe como base – autor complicado de se levar às telas, sendo que até grandes mestres como Fellini, Vadim e Malle não se deram bem ao adaptá-lo, mas há exceções (veja blog museudopoe).
Quanto a “On the Road”, a obra levou tempo para virar filme: captar as constantes viagens internas/externas de seu narrador que abarcam além dele os inquietos/ incontroláveis tipos que o cercam mais, tudo ao mesmo tempo, paisagens, cenários e situações numa fusão única e búdica embalada a muito jazz e mambo, não é brincadeira, mas acho que Walter Salles, pelo trailer, ouviu direitinho a melodia kerouackiana do romance e conseguiu, apoiado por um elenco irrepreensível. “On the Road” é um visceral hino à existência, ao fogo de viver, de buscar o que está além do que há dentro e fora de nós. Enfim, agrada-me saber que “On the Road” e “O Corvo” farão meus ex-alunos e ex-colegas lembrarem da paixão com que eu ensinava Poe e Kerouac.
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