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Esta postagem foi publicada em 8 de junho de 2012 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Cidadania

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Se você atingiu o fundo do poço, não se desespere! É impossível descer mais. A não ser que seja minhoca!

CIDADANIA

Não quero transformar este espaço num palanque em prol das coisas da educação. Mas também não posso deixar passar um assunto tão momentoso, mesmo já tendo tratado dele em outras ocasiões. Todas as mídias estão dando espaços bem generosos às discussões envolvendo a preparação escolar formal de nossos cidadãos (futuros e presentes). Por isto, continuo expondo algumas ideias que, não se espantem, vão bem além de palavras de um só cronista. Muita gente concorda com elas.
A educação, assim como o meio ambiente, a alimentação, a economia e, sabe-se lá, quantas esferas da atuação humana, segue caminhos que são reflexos de alguma linha filosófica. Feita a filosofia, elabora-se a política. Entretanto, a existência de uma filosofia e de uma política não tornam inelutáveis todas as decisões tomadas em seus nomes.
Explico! Nestes últimos trinta anos, a linha mestra dentro dos gabinetes dirigentes da educação brasileira é que o seu grande objetivo seja plantar e desenvolver o sentido da cidadania. Os alunos são preparados para serem “sujeitos de seus posicionamentos sociais”. Se a fala no comando é essa, óbvia e naturalmente, por gravidade, ela flui para as escolas, onde se trava a verdadeira batalha de pôr em prática as teorias. Mas tem sido uma luta insana, com notas pouco satisfatórias. Basta ver os boletins, mostrando desempenhos nada agradáveis. A moda, no Rio Grande do Sul, é ficar escandalizado com a queda de nosso rendimento escolar diante do de outros estados do país. Porém, não precisamos ficar tão decepcionados com esse escore. Toda a nação parece estar empenhada na busca de maus resultados! E tem conseguido.
Creio que a cidadania, prêmio máximo cobiçado pela política vigente nos órgãos responsáveis pelo ensino brasileiro, está sendo procurada de maneira errada. Ela não deveria ser o objetivo maior dos alunos. Deveria ser, isto sim, a consequência de bancos escolares bem frequentados, que tivessem exigências de aprendizado bem definidas e que, quase como um rito de passagem, fosse resultado de vitória sobre as dificuldades inerentes aos cursos apresentados pelas escolas. Traduzindo em poucas palavras: o certificado de conclusão avalizaria sua qualidade de estudante.
Lamentavelmente, tem sido diferente. Os professores querem que seus alunos sejam promovidos ao final do ano, mas – e como é difícil colocar isto na cabeça dos dirigentes – querem que esses mesmos alunos saibam alguma coisa. Como a política vigente entende de outra maneira, o resultado é bastante desanimador.
Enquanto isto, os professores pagam o pato.

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