Os portadores de deficiências visuais que frequentam duas vezes por semana o Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (Cemaee) de Parobé, além de praticarem o aprendizado de leitura e escrita em Braile, reforçam os laços de amizade entre si, trocando experiências. Mesmo enfrentando as barreiras diárias por sua condição, os cinco portadores de deficiência visual que vão à instituição contam com o apoio do professor de braile, Leandro Pacheco, que auxilia no uso de programas que ajudam na leitura do que aparece na tela do computador.
Natural de Arroio dos Ratos, Jonas Cabral de Lima, 42 anos, reside em Parobé desde 1993, e perdeu a visão há seis anos, quando iniciou uma nova etapa em sua vida. “Foi um momento bastante difícil. Tive que reaprender muitas coisas. Temos sorte de poder contar com o professor Leandro, que é uma pessoa muito dedicada, e nos ajuda com a internet e aulas de braile”, destacou. Quando tinha 12 anos, Jonas começou a tocar violão e hoje faz parceria com seu colega no Cemaee, Jerônimo, que apesar de nunca poder enxergar, aprendeu a tocar teclado. Juntos, a dupla executa algumas músicas da banda mineira Jota Quest.
De acordo com Jonas, o investimento em acessibilidade não existia há alguns anos. “Não havia nada, nenhum tipo de apoio para deficientes visuais. Hoje melhorou, mas deveriam ser maiores os investimentos na área. Além das dificuldades que enfrentamos, existe ainda o preconceito. Alguns negam, mas sabemos que existe”, desabafa.


