Inventado na Tailândia, copiado por caminhoneiros e adotado por milhões de jovens e adultos, os “energy drinks”, ou energéticos, figuram na lista de bebidas mais vendidas do mundo. Diante desta realidade, Panorama foi conferir com usuários e especialistas para descobrir quais riscos a bebida traz à saúde humana e até que ponto quem bebe está ciente deste perigo.
Esta mistura de estimulantes (cafeína), aminoácidos neurotransmissores (taurina) e de carboidratos sintetizados a partir da glicose (glucoronolactona), pode se transformar em uma verdadeira bomba para o sistema cardiovascular e nervoso. Utilizadas junto a bebidas alcoólicas nas baladas, no período após a realização de exercícios físicos ou para mascarar os efeitos do stress cotidiano, as bebidas energéticas venderam mais de 17 milhões de litros no último ano.
A maior parte dos usuários entrevistados disse não conhecer os riscos da bebida, e contaram que utilizam para esconder o gosto e o efeito letárgico do álcool. Outros dizem que fazem uso quando necessitam passar madrugadas trabalhando, e alguns utilizam, erroneamente, tentando repor energias gastas em academias e corridas. O que estas pessoas não sabem é que, além de desidratar e causar arritmia cardíaca (batimento fora de compasso), estas bebidas podem causar perda de reflexos e memória, agir no sistema de humor, provocando reação depressiva em quem possui esta propensão, causar insuficiência renal e hepática, gastrite e úlcera.
O cardiologista Daniel Kollet ressalta que não há nenhuma boa indicação médica para o uso de bebidas energéticas. “Muitas pessoas confundem energéticos e isotônicos, o que está completamente errado. Os isotônicos são ricos em sais minerais e hidratam ao mesmo tempo em que ajudam a repor as energias. Os energéticos desidratam, possuem alto índice glicêmico e causam arritmia”, diz Daniel. O médico também conta que há, na Áustria, um caso comprovado de morte súbita por arritmia causada pelo uso de energéticos. “Como os energéticos aumentam a adrenalina, eles também aceleram a velocidade dos batimentos cardíacos. Quando os batimentos humanos passam de 100 por minuto é um caso de taquicardia; quando atingem 150 por minuto, o coração para de bombear sangue para o corpo, a pessoa desmaia e morre. A maior parte das paradas cardíacas registradas recentemente é causada por arritmia”, explica.
Cardíacos, idosos, grávidas, hipertensos e pessoas que possuam distúrbios psiquiátricos, como depressão, formam o grupo que corre maior risco com o uso e possuem contra-indicação total à bebida. E, com uma importante dica, Daniel finaliza: “um dos maiores problemas da atualidade é o ‘Doutor Google’. As pessoas vão até ele, encontram informações de origem duvidosa e acreditam naquilo como se fosse lei. Não esqueçam que os médicos é que podem lhes indicar o certo e o errado para a saúde. Minha indicação médica é para que durmam mais e melhor, descansem mais, pratiquem atividades físicas, usem guaraná cerebral se os cuidados básicos não funcionam mais, mas optem pelo natural. Quanto mais sintético, mais risco traz à sua vida”.


