Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Intelectuais e governantes defensores dos pobres, mas que não vivem na pobreza! Humm! Isto tem cheiro de pilantragem.
PAGAMENTOS
Na última sexta-feira, lendo o Panorama, deparei com a apreciada coluna do Luiz Haiml, abordando um assunto pelo qual me sinto envolvido. E o meu texto de hoje é quase uma continuação daquele.
A mim também sempre perguntam se estou recebendo, e quanto, por escrever para o jornal. Na verdade, a resposta não é “sim” ou “não”. Aqui, você, espertamente, deve estar pensando “a resposta é ‘não’; ele começou a enrolar”. Mas não se trata disso. Depende do ângulo sob o qual olhar a resposta. É que ela pode ser dupla, conforme a análise. Se quem pergunta pensa no aspecto financeiro, em dinheiro pago pelo Panorama, tal como o Haiml, devo responder “não”. À pergunta seguinte, uma decorrência da primeira, “não dás valor ao teu trabalho?”, respondo “sim, dou muito valor” e, neste quesito, me considero muito bem pago, devido às razões enumeradas a seguir.
Escrevo para esta folha há sete anos. Comecei em 2005, por sugestão de uma grande amiga, Débora Rheinheimer, e sob o comando do então editor Álvaro Bourscheidt, resultando daí 185 colunas (com esta). No início, era sem frequência, até que, em 2006, passou a quinzenal, ininterruptamente. A média de palavras por texto é de 415, resultando, daí, aproximadamente, 76.000 escritas sobre os mais variados temas. Esta constância demanda disciplina de minha parte. Na quarta-feira anterior à publicação, o material deve estar pronto para envio.
Qual o lucro em escrever sem receber uma contrapartida financeira? Fácil responder, fazendo uma comparação. Primeiro, é a satisfação de um róbi. Assim como tantos vão, semanalmente, a um ginásio para se divertir, jogando futsal com os amigos, eu escrevo. Nem eu nem os jogadores ganhamos qualquer coisa para pôr em prática nossas habilidades. Há, porém, uma vantagem para mim: os jogadores, além de não ganharem qualquer dinheiro, ainda pagam para ter diversão, alugando a cancha para as partidas (mais as cervejas – correr dá muita sede). Eu nada desembolso, a não ser um pouquinho de energia elétrica para o computador, mas é uma titica! Se alguém disser que não é a mesma coisa, protesto. Divertimo-nos! Uma das funções do jornalismo praticado por mim e pelo Luiz é diversão, nossa e dos leitores.
Entretanto, existem outras vantagens nesta comparação. Sou professor que acredita na função da escola como formadora de alunos aptos a elaborarem pensamentos e aprendizagens na forma escrita. Por isto, insisto muito na redação. Todos os professores fazem isto (ou deveriam), pois não há qualquer desenvolvimento social sem ter sido, antes, exposto através de um texto escrito. E meus alunos têm satisfação de saber que quem leciona para eles tem autoridade na sua área profissional. Não fica apenas na teoria.
Cá entre nós, este é um grande pagamento. Imitando o cartão de crédito, não tem preço. Ou seja, escrevo, logo existo.


