Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Você aí, responda rapidamente: acha que é mole ser duro?
Mudanças
Uma das grandes preocupações nestes anos iniciais do século XXI é o bulimento. Sei que muita gente prefere o “bulliyng” inglês, mas eu, mais tosco, uso o termo português já dicionarizado. Em todos os meios de comunicação vemos aquelas notícias de atos sórdidos praticados por uma turma (ou deveria dizer “turba”?) contra vítimas eleitas para servirem de saco de pancadas, morais e físicas. Isso causa sofrimentos, alguns dos quais permanecem por toda a vida.
Atualmente, ficou mais divertido bulir com quem quisermos, principalmente com esses frouxos que não conhecem seu lugar e teimam em invadir nossos ambientes. É engraçado massacrar alguém e, ao mesmo tempo, produzir um filminho no celular. Enquanto um dos nossos se encarrega das porradas, a gente filma e, depois, publica no YouTube. Com isso, nosso campinho fica demarcado. Somos tal qual bicho, demarcando o território.
É óbvio, estou sendo irônico, mas, de fato, o bulimento é uma constante e todos nós sabemos onde ele é praticado virulentamente. Não é nas pistas de dança dos inferninhos; não é nos estádios de futebol; enfim, não é em nenhum local onde, normalmente, se esperaria afrouxamento dos bons costumes. Pelo contrário! O bulimento é maior, justamente, no local onde todos deveriam sentir-se protegidos e seguindo o caminho do conhecimento. O lugar mais perigoso do mundo é a escola.
Ao longo da História, a escola se firmou como a grande alternativa social para a difusão do conhecimento, reunindo num único lugar quem o tinha – o professor – e quem o receberia – os alunos. Essa concentração abriu espaço para teorias de socialização, justificando a vida em grupo, tornando-se um fim em si mesmo. A socialização, no fim das contas, passou a ser a coisa mais importante do sistema educacional, deixando à margem o próprio aprendizado.
O golpe de misericórdia veio com um novo tipo de família, na segunda metade do século XX, exigindo que as crianças ficassem abrigadas e cuidadas por pessoas de confiança, enquanto os pais tratam de suas vidas. A escola foi a escolhida.
Ao mesmo tempo em que assumia a hercúlea tarefa de cuidar dos filhos alheios, a educação deu aos pais um poder sem igual: eles podem exigir (e exigem!) não de seus filhos, mas da escola, grandes resultados, sem que haja quaisquer esforços em contrapartida para atingir os melhores índices. E assim tem sido. A escola ficou refém da sociedade, deixando de ser colaboradora dela.
Resumindo: escola é caldo de cultura para o bulimento, encoberto pelo nome de socialização. A convivência forçada e a falta de exigência de boa postura dos alunos criam as condições necessárias e suficientes para seu surgimento. O bode expiatório para justificar a falta de educação e os maus resultados, já escrevi aqui, é o professorado.
E agora, não bastasse a situação vigente, para meu horror, estão pensando em aumentar o tempo diário em aula.


