Do meu tuíter @Plinio_Zingano – O fim de um amor é mais dolorido na remoção das tatuagens.
A UTILIDADE DAS MOSCAS
Já aprontara a crônica, quando, por artes desta minha intensa vida cultural, no dia 10, segunda-feira, compareci ao julgamento das peças concorrentes ao XI Concurso Literário Faccat – Jornal Panorama: Contos, Crônicas e Poemas. Provavelmente, a fotografia dos jurados esteja publicada no jornal hoje. O tema do concurso era o “fim do mundo”, referindo-se ao hecatômbico acontecimento previsto pela civilização maia para 21 de dezembro 2012, sobre o qual foi feito um filme de estrondoso sucesso (não me perguntem como conseguiram isso; não o filme, mas a exatidão na data). Então, lembrei-me de ter escrito algo que, de certa forma, se aventurava no tipo de evento em questão. Pelo menos, citava-o, como cenário. Por isto, deixei o outro texto na geladeira e me decidi por este, agora pronto para sua leitura!
“Hoje gastei algumas horas a pensar. Nem sempre consigo! Pensar dói muito. Porém, quando penso, vou ao cerne das questões mais fundamentais do Universo. Meu alvo foi a mosca!
Deus deve ter tido algum objetivo especial ao criar esse inseto. Vai ver que quando aquelas propagandas religiosas mencionam o “plano do Criador para o homem”, levam em conta a inclusão da mosca. Só pode ser, porque nada mais consigo imaginar de útil nessa pequena maravilha da criação, salvo um objetivo de transcendência única.
É bem provável que a inescrutável mente de Deus (que é como os amigos e admiradores chamam o Francis Ford Coppola) tenha bolado um final de mundo espetacular para a Terra, algo do tipo Apocalypse now, só para justificar o ato muscigênico. Fico imaginando, todos nós – não apenas olhando o filme, mas participando do desespero, já bem no finzinho, apavorados e admitindo a imensa insensatez do mundo – num derradeiro ato de humana curiosidade, a implorar: ‘A resposta, Senhor, a resposta’. Quem sabe, Ele nos dissesse, triunfante:
– Foi a mosca!
Tá bem, talvez a coisa não seja assim tão trágica e, afinal, você bem pode colaborar com Ele, pois, se não, não diga que não foi avisado.
Mas, como pensando a gente resolve as coisas e sempre consegue uma solução por mais metafórico que seja o problema, matei a charada. A mosca foi criada por causa das princesinhas casadoiras, que sonham com príncipes encantados. Sigam meu raciocínio. Onde estão escondidos os príncipes encantados? Estão disfarçados de sapos. Do que se alimentam os sapos? Acertou! De moscas. Sim, é a velha cadeia alimentar!
Bem, princesinhas (e o mundo precisa tanto de vocês, gentis moçoilas), não façam esta cara de repugnância ao pensar nas moscas. Ou vocês não acham nojento sair por aí beijando sapos?”
O final parece-lhes uma fábula? É mesmo, mas fábulas não faziam parte das categorias do concurso. Eu teria sido eliminado.


