Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 28 de setembro de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

A política

Taquara possui uma cultura política dominante mais conservadora, ao menos no que diz respeito às opções partidárias. O conservadorismo do município é estético e vincula-se a certo ideário da classe média, segmento formador de opinião da cultura política local.
Em segundo lugar, e diretamente vinculado à hipótese anterior, os partidos de esquerda parecem não conseguir impor uma agenda política muito nítida. Possivelmente acuada pela cultura política conservadora de Taquara, as forças de esquerda unicamente reagem às ações e agenda propostas pelos governos locais mais reacionários. Outra tese muito em voga no município sustenta que o governante de plantão nunca se reelege ou elege seu sucessor, tratando uma coincidência como fenômeno político. Ocorre que se esta hipótese fosse real, estaríamos lidando com um município cuja cultura seria permanentemente oposicionista, o que não parece ser o caso. O que vemos é que a “nova direita”, diferente da “velha” e truculenta, aperfeiçoou suas estratégias como, por exemplo, o  “Movimento Carismático”, eminentemente conservador, criou tentáculos e influenciou uma série de lideranças partidárias locais, de amplo espectro ideológico, o que é ainda mais impressionante. Enfim um movimento conservador consegue galvanizar lideranças partidárias de esquerda e de direita. A renovação dos nomes não significa, necessariamente, uma renovação política ou ideológica. Pelo contrário pode significar exatamente a dificuldade de identificar uma linha ideológica e programática comum entre governo e sucessor. O eleitorado, enfim, fixa-se em nomes, num perfil mais vinculado à lógica conservadora, consumista, vitoriosa, religiosa.
Taquara é enaltecida pela qualidade de vida que oferece, por migrantes e imigrantes que construíram-na e fincaram raízes nutridas pelo trabalho de gerações. Cidade universitária, com ótimos colégios, concentrando uma população jovem ávida para progredir. Mas, há outra Taquara que não convém apologizar. É a Taquara dos ausentes, dos que não podem consumir os serviços de hospitais privados e especialistas da área de saúde, dos que vivem nos bairros e no interior sem acesso à saúde pública de qualidade, às melhores escolas, sem oportunidade de emprego. Há uma Taquara bela e sedutora, que oculta outra cidade onde campeia a desigualdade social, a inexistência de infra-estrutura à altura das necessidades sociais e cujos trabalhadores ganham salários tão baixos, que outras categorias profissionais mais aquinhoadas são vistas como elite. Há uma Taquara rica e acessível à classe média e remediada e inacessível para uma boa parcela da população. Há uma Taquara “harmoniosa” que, a maneira de Admirável Mundo Novo de Aldous Haxley, esconde uma Taquara de contradições e selvagem (…). Tudo parece harmonioso. Porém a longa lua-de-mel, parece findar-se e as exigências políticas e sociais se intensificam. Então, pergunta-se: As expectativas eleitorais dos partidos e forças políticas locais estão em consonância com as exigências estaduais e nacionais?. Os interesses políticos tendem se explicitar e acirrar as contradições. Sabemos que o raio de ação do município é limitado pela inexistência de recursos para investimentos. Porém os problemas sociais exigem soluções, criatividade e opções políticas. Chega a hora de definições, qual das duas “Taquaras” deverá ter a prioridade da ação do novo governo. É possível governar para todos os interesses?
A pergunta final destaca-se, hoje, como uma senha para interpretar a política em Taquara. É possível governar para tantos interesses? Como garantir a igualdade ou promoção social numa cidade com “cultura de classe média”, consumista e conservadora politicamente.

Paulo Antonio Wagner de Oliveira
Representante Comercial

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