Do meu Tuíter @Plinio_Zingano – A ignorância
é mãe da maldade.
CURRICULUM VITAE
E me vejo na contingência de redigir mais uma história de vida. Da minha. Não, não me incomodo de escrever uma autobiografia sucinta, o meu currículo. A finalidade é conseguir um emprego que, longe de ser uma daquelas ocupações torturantes, para mim é uma grande oportunidade. Aspiro a mais uma vaga de professor. Professores são como médicos: podem atender só num local ou em vários. Eu, por exemplo, trabalho em dois. Sou diretor de uma escola municipal, e noutra, estadual, estou em sala de aula. Ambas se situam em Parobé. Trabalho nos três turnos escolares. Agora, com a assunção de um novo governo municipal, compreensivelmente, serei substituído na direção. O comando dessas escolas é um cargo de confiança dos prefeitos e, embora não partidário, exerci minha função a convite da mandatária atual. Entende-se, então, que assumam profissionais nomeados pelo novo prefeito. Deixo as funções administrativas, embora fique com as de ensino. Vai me sobrar um turno.
Quem recebe pedido de emprego, quer garantias de não admitir um incompetente ou, na pior das hipóteses, um tresloucado. Assim, numa medida preventiva, solicita aos candidatos às vagas sob seu comando um currículo. Como não me considero incompetente e nem tresloucado, atendo a exigência de bom grado. Na verdade não tanto bom grado; minha vaidade diz que já sou conhecido pelas qualidades necessárias para ocupar a função desejada, mas, vá lá, são as regras do jogo.
Um currículo nada mais é que publicidade de uma pessoa. Os mais tímidos e humildes sempre têm alguma dificuldade de descrever-se, pois precisam ressaltar suas qualidades e isso, para um tímido humilde, é exigência dolorosa. Onde já se viu alguém falar de si? Não é o meu caso. Entretanto, vou amenizar, falando, antes, daquilo para o qual não tenho qualquer aptidão. Sou péssimo jogador de futebol e péssimo cantor. Pronto, essas são as minhas más qualidades.
Agora passemos àquelas que podem interessar ao meu futuro empregador (é um currículo, lembram?). Com Mestrado em Ciências da Comunicação, fui redator de publicidade; editei jornal de moda; editei revista de culinária; redigi e editei revista de cultura; revolucionei o ensino para jovens e adultos em Parobé, inventando a forma atual do NEJAP (lá onde sou, por enquanto, diretor); faço parte da Academia Lítero-Cultural Taquarense; participei da comissão julgadora dos dois últimos concursos literários PANORAMA/FACCAT, já tendo sido convidado para o do ano que vem (se o mundo não acabar em dezembro, é claro!) e, finalmente, escrevo aqui no jornal há seis anos. Ou seja, neste mar não me afogo.
Mas o que pesa, realmente, para o emprego pretendido, é meu domínio sobre a escrita – vou bem além do teclado – e consigo incentivar meus alunos a procurar o “caminho das pedras”. Nas palavras de uma ex-aluna, sou “um professor inspirador” (obrigado, Rosane Sabrina Pinto; nunca a opinião de um pupilo coincidiu tanto com o objetivo de um professor).
Este é o meu currículo público. Estou pronto para entrar em aula.


