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Esta postagem foi publicada em 7 de dezembro de 2012 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Convencimento

Do meu tuíter @Plinio_Zingano — O que machuca mais: amar sem ser amado ou ser amado sem amar?

CONVENCIMENTO

Convencimento, na linguagem coloquial, é aquela qualidade que muita gente tem e cuja principal façanha é arrancar, dos circundantes, comentários pouco elogiosos. Nem toda a qualidade é boa. Há, também, a má. Neste caso, logo nos lembramos de presunção, de falta de modéstia. E, para tantos de nós, falta de modéstia é má qualidade. Digo mais: a pior de todas. Não quero entrar no mérito desta questão, pois há muito lobo em pele de cordeiro, passando por modesto apenas para poder circular mais livremente no meio do rebanho e pegar as ovelhinhas desavisadas. O mérito mencionado trata do julgamento sobre se é mau ser exibido ou se é a oitava maravilha do mundo ser modesto. Acho, até, que sou um convencido no bom sentido. A minha única situação de humildade, já lhes confessei na última crônica, é quando falo das minhas habilidades futebolísticas e musicais. Não as tenho. E assim mesmo, aproveito para expô-las. Ou seja, mesmo sendo modestos e reconhecendo nossas fraquezas, podemos estar sendo presunçosos. Basta anunciar a nossa modéstia. Mas, como quero dar uma circulada pelo rebanho, falo de outro significado de “convencimento”
É de quando essa palavra define o resultado de determinado discurso, ao se conseguir fazer alguém trocar de opinião a respeito de um assunto qualquer. É onde pretendo chegar. Nós, todos os dias, somos alvos dessas tentativas de convencimento. Os vendedores, os amantes, os mendigos, os atores, todos tentam nos atrair para uma nova maneira de pensar, à maneira deles. É a famosa sedução! Ela até já foi crime (talvez ainda seja, não tenho certeza).
Por exemplo, quer maior poder de seduzir uma pessoa do que aquele exercido por um vigarista? No conto do vigário, a arte do convencimento atinge o máximo do refinamento. Imaginem, superando o mais hábil vendedor, que entrega a mercadoria vendida, o estelionatário faz a vítima abrir mão, voluntariamente, dos seus bens em troca de nenhuma retribuição. A única satisfação da vítima, que só vai descobrir o logro muito depois, é uma efêmera sensação de que o enganado foi o pilantra e não ela.
Por que estou falando nestas coisas? É por ter uma desagradável impressão de, constantemente, estar sendo passado para trás por pregadores de esperanças num mundo melhor. Até pretendente a Prêmio Nobel da Paz deixa aparecer sua verdadeira pele, que não é a de cordeiro!
Pensar que, em 1959, eu considerei a hipótese de mandar dinheiro para ajudar a revolução cubana contra o Fulgêncio Batista! Não mandei, pois era adolescente e não tinha. Mas não me perdoo. O resultado é conhecido de todos!

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