Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 21 de dezembro de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Meu presente de Natal

“  Deixei meu sapatinho na janela do quintal / Papai Noel deixou meu presente de Natal / Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém, / Seja rico, ou seja, pobre o velhinho sempre vem.”

Este é um pedacinho de uma música natalina que minhas netinhas aprenderam no maternal e chegam em casa cantando e fazendo a gente cantar com elas. O que será que tem de verdade nestas palavras, é claro, vai depender do que representa para cada pessoa o sentido do Natal, qual presente cada um quer ganhar. Pois bem, eu já fiz os meus pedidos para o bom velhinho: quero saúde, muita saúde para todos, pois sem ela, de que vai valer tudo isso, não?
Estando bem fisicamente, quero estar bem psicologicamente, estar rodeada por meus familiares e amigos. Isto é fundamental, pois pra mim o Natal só tem sentido se estiver perto de quem quero bem e, consequentemente, que me queiram bem.
Quando faço um retrospecto destas festas, desde que me conheço por gente, confesso que do tempo de infância lembro muito pouco dos Natais, mas lembro vagamente que não tínhamos festas como as que acompanho nos dias de hoje. Família sem muitos recursos, um monte de filhos, o mais importante neste momento era ter alimento na mesa, ter o que vestir e calçar, brinquedos eram raros, uma boneca de pano, uma bola e olhe lá.
Lembro de ter ganho uma boneca de gesso de uma dinda e, por azar, a esqueci na chuva. Já sabem o que aconteceu, não? Bem, mas quando as coisas melhoraram um pouco, os filhos criados, famílias formadas, o Natal tomou outro rumo, a família passou a se reunir para um jantar simples, sem pompa, mas com o objetivo principal de estar em família. Com a partida repentina de meu pai, pessoa pra lá de especial, esses momentos acabaram.
Felizmente depois de algum tempo os encontros voltaram, pois minha mãe com 86 anos está conosco e por ela os filhos decidiram comemorar o Natal uma semana antes da data, onde irmãos, filhos, netos, bisnetos, “os enxertos” e a matriarca da família se reúnem para festejar e, principalmente, lembrar daquele que sempre procurou manter a família ao seu redor, “Seu Belinho”. É sempre um dia muito especial para todos.
Quantas famílias será que se preocupam em estarem juntos, porque valorizam esta instituição um tanto quanto esquecida, às vezes, até parece que está em extinção mesmo, mas tomara que isto não aconteça. Portanto, meu presente de Natal será poder estar junto dos meus familiares, entre eles minha mãe, filhos, netos, marido, amigos, enfim, com todos aqueles que por alguma razão fazem parte deste núcleo.
Que a canção que as netas tanto cantaram seja uma espécie de hino e traduza realmente o verdadeiro sentido do Natal pra todos nós. Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Clair Santos Wilhelms
Professora

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