Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Lutar contra os fantásticos salários de deputados e senadores? Eu não. Vai que um dia eu consiga me eleger!
PORTAS E JANELAS
Dias atrás, publiquei, neste espaço, um curriculum vitae meu. Fiz isso por estar vivendo uma situação aristotélica. Aristóteles dizia que o “homem é um animal político” e, neste caso, um pouco diferente do pensamento do filósofo, fui inserido, pelas circunstâncias, numa das versões menos suaves da “política”. Devo salientar, para não causar comoção – olhem aí o quanto me dou de importância – aceito os acontecimentos sem reclamar. Informei, naquele texto, estar sendo afastado de minha função de diretor da grande escola de Parobé, inventada por mim em sua forma atual, o NEJAP, porque a nova administração municipal iria substituir os diretores nomeados pela prefeita Gilda, que sai, colocando em seu lugar, os colaboradores de confiança do prefeito eleito, Cláudio.
Entretanto, quase todo mundo sabe, existe aquele ditado: “quando uma porta se fecha, outra se abre” (aqui, não tenho muita certeza – em algumas versões o que se abre logo em seguida é “janela”). De qualquer maneira, nessas horas, é reconfortante pensar nisso. Dá ânimo extra! Como eu já estivesse preparado, apenas continuei com os meus planos. Uma porta estava se fechando, mas, segundo a sabedoria popular, alguma coisa se abriria logo adiante.
Então, surpresa! Em vez de abrir-se, mais outra porta se fechou. Isto significa, meus amiguinhos, que a sabedoria popular, expressa em ditados e aforismas, é igual a plano de márquetim: só pode ser justificada depois do sucedido, positiva ou negativamente. A priori, tudo é apenas uma conjetura, um desejo.
A nova porta a se fechar foi aquela da escola estadual na qual eu atuava há dezesseis anos, graças a um contrato emergencial, e onde pretendia continuar mais tempo. Por força de uma derrapagem legal, tive meu contrato rescindido. Fiquei extremamente satisfeito! Não, não por ter perdido um posto de trabalho, porque tão estúpido não sou. Minha satisfação vem, justamente, por ver tanta gente, inclusive antigos alunos reprovados por mim, lamentarem o acidente de percurso. Já pensaram? Isto é o máximo para um professor: alunos reprovados julgarem que seu mestre tinha razão. As manifestações favoráveis me dão a certeza de que, mesmo amparada legalmente por uma contradição, a Secretaria de Educação do estado fez uma bobagem. Quase escrevo “uma cag”…
Estou muito agradecido a todos aqueles que lamentaram a minha saída, inclusive pais e irmãos – ex-alunos – desejosos de ver seus filhos e maninhos passando pelas minhas aulas.
Por isto, alegria! O mundo não acabou (pelo menos enquanto vocês estiverem conseguindo ler este texto) e logo será Natal. Para mim, diante de mais uma porta fechada, só me resta, educadamente, tentar derrubar a parede! Preciso entrar para não perder as comemorações.


