Penso, logo insisto
Esta postagem foi publicada em 4 de janeiro de 2013 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Bons desejos

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Todo ser humano quer despertar misericórdia e indulgência quando é apanhado em algum deslize. Isto é uma lei. Não se deixe enganar.

E 2013 já está em contagem regressiva. É sempre assim: basta qualquer coisa começar para, no mesmo instante, iniciar-se o inexorável caminho em direção ao final. Claro que, nesta altura, o ano, praticamente, nem existe ainda. Por isto, pode até parecer cabotino este comentário, mas é prenhe de verdade!
Sou um sujeito de pouco trato social. Não que não consiga viver em sociedade. Acho que estou longe de ser um homem das cavernas, porém certos procedimentos usuais da vida em grupo, infelizmente, me escapam. Por exemplo, as datas comemorativas. Quase sempre me esqueço delas. Menos a do casamento! Essa jamais me atreveria, pois aí, sim, estaria comprando “a” briga. No entanto, as outras, perdão, passam batidas.
Sim, sim, o Natal e o começo de um novo ano, se eu lhes falasse que nem os notara, provavelmente, daria testemunho de viver fora da realidade. Mais do que para quaisquer outras datas, para essas a publicidade serve de secretária, lembrando a agenda.
Assim mesmo, não sou levado a dar votos de “feliz isto”, “próspero aquilo”. Retribuo a todas as mensagens recebidas. Podem crer, devolvo com o coração e não por um dever de bom-mocismo. Por isto, a todos a quem respondi, reitero, aqui, a sinceridade da resposta. Aos meus amigos, colegas, chefes e subordinados, que também deixam passar essas ocasiões, como o início de um ano – sem qualquer intenção ofensiva, eu sei –, um feliz e próspero tudo o que possam imaginar. Sintam-se amistosamente votados!
Satisfeitas as obrigações com o pessoal das minhas relações, aproveitarei a oportunidade para ser mais abrangente e incluir os outros, numa espécie de self service de bons desejos de início de ano. Cada um, reconhecendo-se, enquadre-se numa das categorias, criadas por mim. Embora pareçam categorias arbitrárias, elas refletem uma realidade.
Aos espaçosos, falando alto e em bom som na fila do banco ou no caixa do supermercado, feliz ano-novo!; aos indelicados, desfiando aos celulares seus assuntos íntimos como se sozinhos estivessem, criando-nos constrangimentos, feliz ano-novo!; aos espertos, que, munidos de chatas doses de simpatia, tentam nos impingir coisas não desejadas, feliz ano-novo!; aos muito alegres, tentando mudar o mundo à força de gargalhadas (pois receberam um emeio, ensinando como), feliz ano-novo!; aos místicos, meditação em posição de lótus, à espera do próximo fim do mundo, feliz ano-novo!; aos profetas, de pastinha na mão, à cata de ovelhas desgarradas, preocupados com a salvação eterna da alma alheia (a deles já está salva), feliz ano-novo!
Finalmente, àqueles já fartos de tantos desejos vazios, mas trabalhando por reais mudanças nos seus caracteres, para, então, termos um ano feliz, feliz ano novo!

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