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Esta postagem foi publicada em 11 de janeiro de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Idade certa para alfabetizar

Parece que a sociedade está acordando para a importância da educação e se dá conta de que estamos muito mal, pois somos uma nação majoritariamente de analfabetos funcionais. A pergunta óbvia é: onde se encontra a principal causa deste gravíssimo problema na educação formal?
Pois está na base do nosso ensino formal que é na alfabetização das nossas crianças.  A Comissão de Educação da Câmara Federal, já em 2003, em seu relatório final afirmava que: “Dentre os graves problemas que afetam a qualidade da educação no Brasil, nenhum é maior do que o da alfabetização das crianças.” Mas, por que não se vislumbram mudanças nesta área?
Como afirmou a Comissão de Educação da Câmara Federal há questões filosóficas e interesses ideológicos que sustentam as ideias que predominam no Brasil sobre alfabetização. Os teóricos de como se dá a alfabetização, infiltrados em todas as esferas da educação, não admitem mudar o que vem dando errado.
E aí nos perguntamos: qual a idade certa para alfabetizar? Pois vejam o quanto estamos equivocados nesta área. Não é a idade cronológica que deve ser tomada como parâmetro para se definir se uma criança está em condições de ser alfabetizada ou não, mas a idade biológica, constatada através de uma avaliação psicossomática. Como alfabetizador por mais de uma década sempre fiz isto  e sempre tive crianças com cinco anos sendo perfeitamente alfabetizadas, a maioria com seis anos e algumas com sete anos.
Todos somos biologicamente diferentes e é isto que precisamos avaliar. O teste ABC, do Professor Lourenço Filho, é singelo na sua aplicação e muito eficiente para avaliar o que acima está posto.
O deprimente de toda esta situação é constatar que os principais setores do Ministério da Educação, Secretarias Estaduais e Municipais e as Escolas Normais não admitem sequer um contraponto nesta área.
Falam de pesquisas neurológicas, psíquicas, questões sociais, citam pesquisadores, teóricos do conhecimento, rejeitam o passado e não fazem o lógico, o elementar e o básico.
Se adotarmos oficialmente a “lógica” na alfabetização haverá condições de alfabetizar as crianças em alguns meses e não em anos.  Como está não pode continuar.
Agenor Basso
Professor e bacharel em Direito

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