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Esta postagem foi publicada em 16 de abril de 2009 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Centena

plinio1Do “Meu livro de citações”: Será que os médicos dão atestados para justificar as faltas de suas recepcionistas?

CENTENA

Eis que cheguei a cem. Não, não a cem anos, pois, se assim fora, o título seria “centenário”. “Centena” se refere à quantidade de meus textos publicados aqui no Panorama. No início, em 19 de agosto de 2005, não havia compromisso com regularidade. A ideia era publicar quando existisse um espaço disponível. Às vezes, passavam-se três semanas seguidas e eu aqui, firme; de repente, três semanas sem a minha fantástica presença (pelo menos, para mim), provocando-me a inevitável decepção: “Dancei!”. Até que, em outubro de 2006, o editor me informou que a coluna passaria para a quinzenalidade e assim tem sido desde então. Hoje, num ato metalinguístico, apresento um pequeno balanço da produção destes três anos e sete meses.
O computador permite fazer alguns tipos de estatística, embora, dependendo do programa usado, a contagem tenha variações. Vamos, pois, pelas aproximações. Foram, mais ou menos, 48.000 palavras, uma vez que fico na média de 480 em cada crônica. Não tenho um tipo específico de tema a abordar. Não escrevo sobre política, embora fale de política; não abordo esportes, mesmo tocando no esporte; falo de comportamento, de crenças, exponho convicções, opino sobre leis. Acredito, piamente, que um escritor de jornal, mesmo dando opiniões sobre assuntos muito controvertidos, está no ramo do xoubiz. Sua função é distrair as pessoas e, se possível, dar-lhes uma visão diferente do mundo, não, necessariamente, a única. Não podemos esquecer aqueles que não compartilham nossas convicções. Para mim, um jornal é uma casa de espetáculos onde, como num teatro, os dramas – tragédias e comédias – vão sendo apresentados aos espectadores. O distinto público, os leitores, é o grande crítico, tirando suas próprias conclusões.
Durante as noventa e nove colunas anteriores, em muitas ocasiões lutei contra a “síndrome da tela em branco”, quando o texto se recusava a surgir. Procurei materializar os temas, usando referências de conhecimento geral para torná-los mais palatáveis. Obviamente, nem sempre consegui, pois ninguém é obrigado a conhecer, exatamente, os assuntos tratados por mim. Às vezes, isso torna a crônica difícil, pois a comunicação só ocorrerá plenamente se emissor e receptor se guiarem pelos mesmos mapas. E olhe lá!
Como produto midiático, uma coluna de jornal deve ter características bem definidas, justamente para marcar o seu nicho no mercado, identificando-a. Dentro desta perspectiva, uns textos mais antigos, até então guardados, ganharam a luz e têm feito surpreendente boa figura. São as frases do “Meu livro de citações”, criando uma identificação específica. Gosto delas.
De maneira geral, desde a paródia do título, tentei não ser apocalíptico. Apesar de a foto ali de cima me mostrar tão carrancudo, tenho me divertido muito. É bom ouvir os comentários favoráveis de quem me aprecia (existem sim!). Os outros têm sido muito generosos e seu silêncio é incentivador. No meu julgamento, o saldo é positivo.
Encerrando, não posso dizer que me faltam palavras. Seria um contrassenso para um escritor. Por isto, aproveito para deixar-lhes mais duas na despedida: voltem sempre!
Plínio Zíngano
E-mail: [email protected]

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