EM OFF
Férias podem ser algo maravilhoso ou um tormento. Eu, particularmente, conheço pessoas, inclusive alguns amigos de longa data, que não conseguem relaxar… nunca! Férias, para eles, são sinônimo de angústia e ansiedade na certa. Chegam até a adoecer longe do trabalho. Obviamente, há explicações patológicas para isso, mas não cabe a mim julgar quem quer que seja.
Eu mesma há alguns anos, em fase de intensa atividade jornalística em jornal diário, tinha sérias dificuldades para curtir meu período de férias sem culpa. Isso mesmo, culpa, porque esse é o sentimento que se tem quando não estamos em sintonia conosco mesmos e depositamos única e exclusivamente nossas expectativas e projetos de vida apenas no trabalho, como se fôssemos insubstituíveis, deuses onipresentes, cheios de medos camuflados que denominamos para nós mesmos de competência.
Acontece que competência, responsabilidade, eficiência e profissionalismo não se medem por aí. Podemos ser tudo isso sem ter que provarmos nada para ninguém, simplesmente executando nossas atividades profissionais normalmente, mas também, e principalmente, sabendo equilibrar dias de labuta com períodos de ócio, que sempre será criativo e produtivo de alguma maneira, mais adiante, quando precisarmos de energia para enfrentarmos um ano cheio de desafios pela frente.
Até porque ninguém sobrevive com saúde mental e qualidade de vida sem música, sem sol, sem livros, sem poesia, sem amigos, sem nada para fazer, sem distanciamento. É isso o que nos mantém vivos, além do trabalho que nos garante o sustento, claro, mas que é só um terço de tudo o que precisamos para existir plenamente e não apenas ganhar dinheiro para pagar as contas.
Precisamos de férias de tudo, periodicamente, para nos reencontrarmos conosco mesmos. Precisamos de férias dos colegas, dos chefes, dos vizinhos, dos amigos, dos parentes e até dos filhos, eventualmente. A pausa é a vírgula da vida que nos permite respirar, sintonizar e reconectar com a nossa verdade interior.
Descobri que o direito a férias do trabalho é sagrado, mas aprendi que não precisamos esperar um ano inteiro ou a aposentadoria para ficar em off, totalmente desligados. Mesmo ao longo da semana, em meio às turbulências e aos aborrecimentos do dia a dia, é possível nos darmos algumas horas, um dia ou uma noite de férias. Apague a luz, ouça uma música, assista a um filme, vá dançar, corra no parque, comece uma academia, tome um porre, olhe para o nada e permita-se ficar consigo mesmo, a melhor de todas as companhias.
Há quem prefira postar tudo isso, inclusive todo o roteiro das férias e da própria vida, em fotos e poses nas redes sociais, com a falsa sensação de estar compartilhando amizade, curtindo férias virtuais na companhia de todos e de ninguém. Para esses casos, uma dica: que tal desligar o computador e tirar férias de você mesmo?
(Câmbio, desligo, porque ainda estou de férias, longe de Taquara, mas aproveitei a manhã chuvosa deste sábado para escrever minha crônica, o que também é um grande prazer).



