Quantas pessoas educadas você conhece? Não me refiro ao grau de instrução e sim à maneira como se portam e agem em relação aos outros. Com quantas pessoas gentis você falou esta semana? Quem foi capaz de lhe agradecer um favor? Quem lhe pediu “por favor”?
Esses questionamentos aparentemente inocentes me vêm à mente no momento em que tenho observado, cada vez mais, as atitudes hostis dos seres humanos em relação a seus semelhantes. E não são só os jovens os mal-educados da vez. Tem gente bem grandinha dando mau exemplo por aí, além dos políticos corruptos, claro, mas esses são páreo duro de comparação.
Refiro-me às pequenas atitudes vergonhosas que somos obrigados a testemunhar todos os dias. Pequenos atos de vandalismo, pequenas ações de desrespeito com o vizinho, descaso com o bem comum, incompetência para gerenciar o destino do próprio lixo doméstico, ironia e deboche com as críticas, enfim, desconexão total com as regras básicas da educação que não se aprendem na escola particular que você frequentou, mas que vêm, certamente dos tempos remotos da infância, de berço, para ser mais exata.
E nem é preciso ter nascido em berço de ouro, não. Basta ter tido algumas lições de mãe e pai, de vô e vó, aquelas que até hoje nossa consciência acusa quando saímos dos trilhos, se é que você aprendeu. São valores em desuso pela maioria dos adultos, quanto mais por essa novíssima geração que chega sem fazer o dever de casa porque não há quem cobre delas. Hoje, a maioria dos pais não tem mais tempo de ensinar o que já nem lembra mais que aprendeu, coisas simples como boas maneiras e respeito, acima de tudo, em relação aos outros.
E os outros são todos, inclusive você mesmo. O papel que é jogado no chão vai afetá-lo, de alguma maneira, diretamente. Quem faz mal a um animal pode prejudicar qualquer ser vivo. O mundo, tão pequeno em tempos de internet, é vasto demais para quem não consegue enxergar além do próprio umbigo. Há muito o que aprender além do facebook e das frases feitas que a maioria copia e cola, mas ignora completamente o seu sentido.
O tema de casa exige dedicação de quem ensina e de quem vai executar a tarefa. Isso leva tempo e uma boa dose de compreensão de ambas as partes, sejam pais e filhos, alunos e professores, crianças e adultos. Algo simples, mas incompreensível para quem está em conexão permanente com o nada, mesmo com internet ilimitada.
Ilimitado deveria ser o tempo dedicado a formar cidadãos, desde a infância, dentro de casa, antes de irem para a escola. Pode ser bem antigo isso ou completamente ultrapassado, mas eu lembro até hoje da voz da minha mãe alertando, desde sempre: – “Não mexa no que é dos outros”; – “Criança não se mete em conversa de adulto”; – “Respeita os mais velhos”, etc, etc.
Bons tempos em que ninguém morria por causa de uns “nãos” e que, mesmo errando, ainda havia uma chance de aprender antes de ouvir o que antecipava o temível castigo: -“Em casa a gente conversa”.
Esta postagem foi publicada em 8 de março de 2013 e está arquivada em Paralelas.



