Revelada na semana passada pelo prefeito Tito Lívio Jaeger Filho em primeira mão ao Panorama, a construção da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 Horas em Taquara está mantida pela nova administração. Contudo, o porte da UPA será alterado para nível um, em vez do porte dois, como havia sido confirmado pelo governo federal. De acordo com a Prefeitura, será necessária a tramitação de um novo processo junto ao Conselho Estadual de Saúde e ao Ministério da Saúde.
Para subsidiar a implantação da UPA, Taquara liderou uma visita à unidade de Bom Princípio, que também é de porte um. A viagem ao município da grande Porto Alegre aconteceu na segunda-feira, e contou com a participação do secretário de Saúde e vice- prefeito Carlos Alberto Pimentel e do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Elieser Marcelo da Rosa. Também participaram o secretário de Saúde de Parobé, Leonel Bernardo, e o diretor de Saúde parobeense, Valdenir Martins. A visita foi acompanhada pelo Jornal Panorama, que recebeu o convite da administração de Taquara.
Em Bom Princípio, a secretária de Saúde, Maria Ester Griebler, explicou o processo de implantação da UPA e os espaços disponíveis na unidade. Segundo ela, o município recebeu R$ 1,4 milhão para a construção do complexo, mas gastou R$ 3,4 milhões entre a obra e a compra dos equipamentos. A diferença teve que ser bancada pela própria prefeitura. A secretária disse que valores como estes podem ser buscados através de emendas federais, por parte de deputados.
Quanto ao custeio, a secretária informou que o governo federal repassa R$ 100 mil por mês para a UPA de porte um, caso do seu município. Os repasses federais são pagos rigorosamente em dia, disse Maria Ester. O governo do Estado ajuda na manutenção com R$ 50 mil, mas os repasses costumam atrasar. A Prefeitura, porém, arca com cerca do dobro deste montante na manutenção da UPA. A secretária explicou que, quanto aos atendimentos, são restritos à população do próprio município, além de São Vendelino e Tupandi.
Para o funcionamento da UPA, são 25 os funcionários contratados. Há sempre dois médicos de plantão, um clínico geral e um pediatra. A unidade possui todo o aparato para exames ambulatoriais, além de equipamentos de raio-X. Segundo a secretária, Bom Princípio, município com 12 mil habitantes, possui uma rede de postos em cada um dos bairros, com quatro unidades, além de 100% de cobertura com o programa Estratégia de Saúde da Família. “Os agentes comunitários são o nosso elo com a população”, disse a secretária.
Maria Ester ponderou ainda que a UPA se tornou o grande diferencial no atendimento à saúde do município, priorizando os casos de urgência e emergência, servindo, também, para desafogar o hospital. Ela disse que a estrutura funciona no atendimento intermediário, não recebendo casos destinados a postos de saúde, mas também aliviando situações que poderiam chegar até o hospital do município, que é filantrópico, mantido por uma entidade beneficente com apoio da Prefeitura.
Pimentel: será necessário optar entre Posto 24 Horas ou UPA
Durante a visita à UPA de Bom Princípio, o viceprefeito de Taquara, Carlos Alberto Pimentel, comentou ao Panorama a decisão da Prefeitura de optar pela unidade de porte um para instalação no município. Na avaliação dele, a estrutura é bem interessante, e se enquadra bem no que o prefeito Tito Lívio Jaeger Filho deseja implantar em Taquara. Segundo Pimentel, que também é secretário de Saúde, com a definição para UPA de porte um, chega-se a uma equação bem sucedida com relação ao dilema que se criou após o anúncio da decisão de suspender a obra da UPA.
O vice-prefeito confirmou que os recursos para o investimento estão disponíveis e serão colocados em uso. A unidade, segundo Pimentel, atuará no atendimento às urgências e emergências. O vice-prefeito informou que, enquanto estiver em construção a UPA, continuará o funcionamento do Posto 24 Horas. Contudo, depois de pronta a unidade, será inevitável, segundo Pimentel, uma opção entre o posto ou a UPA. Vantagem leva a segunda unidade, conforme o viceprefeito, uma vez que conta com o aporte de recursos dos governos federal e estadual para o seu custeio. O vice disse, porém, que mesmo com estes aportes a manutenção ainda apresenta orçamentos elevados.
Também em entrevista ao Jornal Panorama, o secretário de Saúde de Parobé, Leonel Bernardo, avaliou como importante a visita a Bom Princípio. Segundo ele, foi possível analisar de que forma será viabilizado o projeto de implantação da UPA em Parobé, município contemplado com estrutura de porte um. A princípio a unidade será construída no bairro Alexandria, mas Leonel informou que está em estudo uma melhor localização para a UPA.
O secretário disse que o prefeito Cláudio Silva solicitou um amplo levantamento com relação ao custo da unidade, uma vez que hoje Parobé banca o posto com atendimento de 12 horas e o período restante funciona no hospital. “Com a UPA, conseguiríamos desafogar o funcionamento do São Francisco”, comentou o secretário. Além disso, Leonel disse que o governo federal flexibilizou os prazos com relação às UPA’s, concedendo mais tempo às novas administrações municipais para que façam as avaliações necessárias à implantação das unidades.


