Érica, a personal up
A consultora de estilo e beleza Érica Ostrowski, ou personal up, como ela acaba de batizar sua nova atividade, cruzou recentemente a linha das cinco décadas de vida. Ela não faz segredo disso, ao contrário, comemorou a data com os muitos amigos e conhecidos, repercutindo o feito nas redes sociais, onde transita com propriedade e muitos seguidores. Érica é de bem com a vida e procura ensinar este caminho nas palestras que faz, com diferentes enfoques, de acordo com o público-alvo.
Nascida em Montenegro, casou aos 17 anos e aos 26 estava com quatro filhos. Chegou a morar em Porto Alegre, conciliou a maternidade com bicos, vendendo roupas e produtos de beleza.
Porém, um dia ela sentou e chorou. Em situação financeira delicada, precisou “pedir arrego” à pessoa que a abastecia de roupas para vender. A fornecedora era uma jovem, que foi até compreensiva, mas tinha pressa em dispensar Érica, pois estava de saída para uma festa, toda produzida, linda e leve. “Naquele momento eu olhei para dentro de mim mesma e senti pena da condição em que eu estava, tão distante daquela figura bonita, cheia de energia e de boas expectativas”.
Talvez tenham sido insides como este que fizeram com que Erica buscasse forças em alguma parte de si mesma para virar a guerreira em que se transformou, depois de uma infância marcada pela perda dos pais, de forma trágica, aos 12 anos de idade.
Por volta dos 23 anos, Érica chegou a ter um restaurante, que faliu: “Passei por coisas como ouvir desaforo da cozinheira, carregar bacia d’água apoiada na barriga grávida, empurrar Brasília velha que quebrou” – confessou Érica, agora conseguindo achar graça.
No meio das dificuldades, veio com o marido para perto de familiares em Taquara, trazendo dois filhos pequenos, mais um na barriga, “e na bagagem um televisor, uma cama beliche e duas trouxas de roupa”.
Na época Érica, que sempre desejou ter vários filhos, talvez para compensar a família que cedo lhe faltou, sentia a explosão demográfica em pessoa. Morou por cinco meses com a sogra, vendia cosméticos, fazia limpeza de pele, teve contato com uma boa linha de produtos, passou a frequentar muitos cursos e começou a chamar atenção pelas maquiagens artísticas que fazia para apresentações de escolas de dança. “Foi por um elogio da colunista social do Panorama ao meu trababalho que me tornei conhecida e procurada pelas mulheres mais descoladas da cidade. Foi assim que se abriu o caminho para que eu viesse a ter um salão de beleza. Meu primeiro anúncio, do tamanho de uma caixa de fósforos, foi também no Panorama. Meu caminho continou se cruzando com o do Jornal, quando me convidaram para produzir as modelos das editorias de moda que publicava, e isto alavancou o meu trabalho”.
Muitos anos depois, com atividade consolidada na área da beleza, Érica começou a não caber dentro de si mesma. Contratou consultoria profissional, obteve ajuda para elaborar um plano de carreira e se viu diante da pergunta fatal que comandaria definitivamente a guinada para a área da consultoria.
“Um dia, um dos profissionais a quem recorri finalmente me perguntou o básico – qual é o teu sonho? Foi em resposta a este questionamento que eu redirecionei minha vida, e para isto contei com o incentivo e respaldo dos filhos, já adultos e todos trabalhando, que assumiram muitos compromissos enquanto eu arrumava a minha casa” – ponderou a personal up.
Sandra, curso de psicologia aos 46 anos
Sandra Luiza dos Santos teve uma infância boa, com muitos amigos, gostava de estudar e encontrava na família o apoio necessário às suas escolhas. Mas esbarrou em dificuldade financeira de realizar, no tempo usual, o sonho que acalentava desde os 13 anos – de cursar psicologia. Somou-se a isso o fato de ter casado cedo, teve filhos aos 20 e aos 26 anos, e por mais de duas décadas dedicou-se a cuidar da família e da casa.
Um curto hiato na vida doméstica foi aberto na década de 80, quando teve uma loja por dois anos e meio, e aproveitou para exercitar o talento para o estilismo, comercializando criações próprias.
Aos 46 anos veio enfim a oportunidade de resgatar uma dívida que Sandra tinha consigo mesma. Ingressou no curso de psicologia da Faccat, formou-se aos 52 anos e emendou uma pós-graduação na área em Porto Alegre. Hoje, está atuando há quatro anos e meio num espaço que divide com outros profissionais – a clínica Singular, fundada em Taquara, e que já ganhou reconhecimento entre o público local e de cidades vizinha. “Os resultados começaram a aparecer. Hoje tenho certeza de que fiz a escolha certa ao arriscar trabalhar na clínica sem antes tentar outros trabalhos na área, para me tornar mais conhecida. Meu trabalho foi uma renovação na minha vida, porque eu adoro o que faço” – comentou Sandra.
Ela encontrou no marido e filhos a melhor reação possível ao seu projeto de vida. “Meu marido sempre me incentivou a voltar a estudar e meus filhos me apoiaram incondicionalmente. Inclusive o meu vestibular foi no dia seguinte à formatura do meu filho em Porto Alegre” – complementou a psicóloga, acrescentando: “Nunca desisti do meu sonho, nem admiti outras opções de cursos que não atendessem à minha convicção.”
Perguntada sobre o que mudou em sua vida, apontou as relações interpessoais e sociais, para as quais sobrou pouco tempo, agora dedicado ao trabalho.


