Desde o anúncio da renúncia de Joseph Ratzinger do papado, a mídia internacional direcionou seu espaço e tempo sobre uma questão: o novo líder da Igreja Católica. Sobre isso, especulações surgiram, incluindo na lista de potenciais sucessores de Bento XVI o cardeal brasileiro dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
O momento é de suma importância para os cerca de 1,2 bilhão de adeptos do catolicismo. Compreendendo isso, os meios de comunicação, com destaque às mídias audiovisuais, transformaram um processo secular em um verdadeiro espetáculo. Não é difícil perceber que o tema ocupa grande parte do espaço destinado aos telejornais. Repórteres experientes são mandados em missão especial. Infográficos foram criados, a fim de simular o método de escolha do novo papa. Câmeras miravam, dia e noite, para a chaminé instalada no telhado da Capela Sistina. “Qualquer coisa que se mova é um alvo”, já diria a letra da música “O papa é pop”, do Engenheiros do Hawaii. Não adiantava trocar de canal, a “febre” do Conclave se espalhou por todos os veículos.
Esta semana, o mundo católico ganhou um novo representante. A ele recai a importante tarefa de lidar com o assédio dos meios de comunicação de massa, além das acusações de lavagem de dinheiro no Banco do Vaticano e de escândalos sexuais.
Como já foi dito, a ocasião é importante e se dá por um fato raro: a renúncia de um papa. Contudo, o questionamento que faço é o seguinte: será que precisamos ser bombardeados com tantas informações sobre um único acontecimento? Afinal, outros estão acontecendo a toda hora, e também merecem destaque.
Cristiano Vargas
Acadêmico de Jornalismo


