Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Psicólogo estressado? Hum! Não deve ter sido bom aluno!
SER DIFERENTE
Eu acredito na sociedade industrial. Naquela que faz as coisas em série, todas iguais. Sabem por quê? Porque, apesar de achar que cada um de nós deva tentar ser, e se orgulhar por ser, diferente dos outros, não creio nessa tão almejada diferença. Não existe a exclusividade, pelo menos não em escala absoluta. No tangente aos humanos, nós somos uns iguais a muitos outros. Qualquer diferença possível, só existe em determinados quesitos, em campos muito particulares e em círculos muito restritos. Alguns são diferentes por não terem cabelos (o meu caso), mas são iguais a tantos que não têm cabelo. Alguém pertencendo a este grupo – o dos sem cabelos – pode pertencer ao grupo dos adoradores de gatos (ainda, meu caso). Já outros, sem cabelos, pertencem à turma dos adoradores de cães. Quem adora gatos, não necessariamente odeia cães (novamente, meu caso); nem o inverso. Mas existem os adoradores de gatos, concomitantemente odiadores de cães. Assim como o inverso
A diferença total, aquela tão veiculada pela propaganda, jamais será conseguida. A própria propaganda, quando fala em diferença, objetivando conquistar fiéis para uma ideia ou um produto anunciado, está, na realidade, incentivando a igualdade entre seus consumidores. Você é diferente porque compra e usa o produto X, mas, quanto mais produtos X forem vendidos, mais consumidores iguais haverá. A solidão unitária não sustenta a indústria. Logo, ser diferente não mantém a atividade industrial, não importando os sistemas econômicos que lhe sirvam de base, mesmo aqueles tão incentivadores da “dignidade humana” (assim, entre aspas, para demonstrar minha irônica descrença para com tais sistemas econômicos).
Nós só poderemos usufruir de alguma diferença, quando todos os nossos confrades forem, sem nenhuma exceção, iguais. E, neste ponto, temos outra quimera humana. Assim como não se alcança a possibilidade de ser-se diferente dos demais humanos, também não se consegue a igualdade em pensamentos ou atos. Raciocine: se numa família não atingimos o consenso, imagine na nossa espécie, com sete bilhões de membros.
É aqui que vivemos o grande paradoxo: ao procurar a exclusividade para nós, não devemos dar condições de exclusividade para os outros. Mesmo causando arrepios no pessoal da volta a uma suposta vida natural, os exemplos, para ficarem mais didáticas as minhas palavras, utilizam sempre representantes da atividade industrial. A produção em série é o único caminho, não importam quantas possibilidades de personalização nos sejam oferecidas em produtos ou comportamentos. Isso acontece com a moda, com os automóveis, com as religiões, com os governos, com tudo.
O PAPA
Se o Papa Francisco I tivesse sido eleito antes de 21 de dezembro de 2012, eu passaria a acreditar na profecia maia sobre o fim do mundo. Agora, não sei a que devemos atribuir um argentino no Vaticano. Pelo menos não é um gremista. Espero!


