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Esta postagem foi publicada em 12 de abril de 2013 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Nova foto

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Por que será que os homens das famílias reais sempre são militares e nunca médicos ou professores? Será por causa das medalhas?

NOVA FOTO

A garota publica nova foto na capa de sua página no Facebook. Olhando-se o produto (a foto, é claro!), vemos uma mulher muito bonita e sensual. Pode-se classificá-la, até, dentro daquele padrão das garotas que costumam tirar a roupa para as revistas; ela está no topo. Loira, cabelos compridos – como é de lei – camisola preta, curta, mostrando as bem torneadas pernas.
O que acontece depois? Seus “amigos”, assim, entre aspas, não por não serem amigos, mas por estarem ligados a ela por esse tipo de relação virtual das redes sociais, começam a deixar elogios.
“Lindona” (este, muito comum, é dito, inclusive, para quem não merece o aumentativo e, na verdade, só vem dos amigos reais, de fora do Face), “muito gata”, “fofura”, “gostosona” e mais uma grande lista de termos incentivadores. As palavras ditas pelas mulheres, nem todas são verdadeiras, pois, certamente, vêm envoltas numa grande dose de inveja, principalmente, quando a moça fotografada é linda (é o caso da inspiradora deste texto). As digitadas pelos homens, essas, definitivamente não são verdadeiras pela incapacidade masculina de se expressar diante de mulher bonita. Os homens julgam as mulheres pela beleza, mas não conseguem expor o seu real sentimento. Vocês, garotas, não entendem o que um ser de seu gênero, bonito, causa ao nosso cérebro; nunca vão entender, embora se valham disso para nos atormentar, usando roupas atraentes, e maquiagens que, no fundo, demonstram uma falha no ato da criação. Se cremes, batons, sombras, brilhos e perfumes deixam a mulher mais bonita – e deixam; se fazem parte de um procedimento necessário, fica uma certeza: a natureza falhou em algum ponto, não sendo um ato acabado. A criação continua. Vai ver, Darwin tinha razão.
Assim mesmo, tentando manter a compostura, porque, apesar de tudo, é um programa público, e a gente não pode dar muita bandeira, balbuciamos – por escrito – alguns elogios que, imaginamos, vão atrair a atenção daqueles monumentos para nós.
E os monumentos, como inocentes fadinhas, o que agrava mais o estado de excitação masculina e o estado de inveja feminino, agradecem as palavras elogiosas. São rainhas, tripudiando sobre o seu séquito. As deusas agem como se não esperassem aquelas manifestações. “Oh!, como vocês são bondosos. Eu não mereço tanto, kkkkkkk. Obrigado (sic), genteee!”
A fotografia de hoje será substituída, amanhã, por outra mais expressiva ainda. As meninas não sabem – alguém aí acredita? – que provocam todas essas alterações cardíacas nos homens e nas “amigas” (aqui, sim, as aspas são de ironia) e, por isso mesmo, farão outra foto, e mais outra, e mais outra. São fotógrafas e editoras de arte de suas próprias revistas.
Eu não vou comentar nada e nem devo. Mas a cada nova capa no Facebook, poeticamente, lembro-me do Michel Teló: “(…) delícia, delícia!”.

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