PAROBÉ – Por maioria de votos, os vereadores aprovaram, na terça-feira, o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada ainda no ano passado para investigar o ex-presidente do Legislativo, Altair Machado (PTB). O relatório final da comissão foi aprovado, mas o ex-presidente contesta todos os itens do documento e disse que buscará a anulação dele na Justiça. A aprovação aconteceu em sessão autoconvocada da Câmara, na tarde de terçafeira, mais uma vez marcada por tumulto e bateboca entre os parlamentares.
O relatório da comissão composta por Aldir Fabris (PTB), Vandro da Silva (PR) e Roberto Carlos Pereira (PTB) incrimina Machado em alguns itens. Entre eles, aponta problemas na contratação de um assessor de imprensa para a Câmara de Parobé, que ocupou cargo em comissão, segundo o relatório, mesmo quando o Legislativo já tinha assessor designado para a função. Posteriormente, a empresa deste profissional, que estaria em nome de laranja, teria sido contratada de forma irregular.
Além disso, o relatório diz que Machado comprou gêneros alimentícios superfaturados do supermercado que seria de propriedade do seu irmão, apontando, também, que o contrato com uma empresa de segurança, que previa quatro agentes para a Câmara, era cumprido apenas parcialmente, com dois profissionais. O documento final da comissão foi lido pelo relator Vandro da Silva durante a sessão autoconvocada, com várias críticas ao vereador acusado. Porém, o relatório não sugere a cassação de Altair Machado, apenas que os fatos apurados pela CPI sejam remetidos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado. Na sessão extraordinária, Machado não teve oportunidade de se manifestar sobre os fatos apontados contra ele, pois os integrantes da CPI alegaram que ele teve o direito de defesa facultado durante os trabalhos da comissão.
Posto em votação, após intenso bateboca entre os vereadores, o relatório acabou aprovado. Foram favoráveis ao documento, João Ademir da Silva (PTB), Enéas Rodrigues (PMDB), Vandro da Silva (PR), Roberto Carlos Pereira (PTB), Edson Lovatto (PTB), Idamir Morais (PSDB) e Aldir Fabris (PTB). Os vereadores contrários ao relatório foram Andréia Rosenau (PR), Nilo Vargas (PT), Dione Silva (PT), Diego Dal Piva (PDT) e Altair Machado (PTB). Também houve duas abstenções, de Moacir Jagucheski (PPS) e Antônio Carlos dos Santos (PDT).
Altair Machado se diz perseguido e rebate acusações
PAROBÉ – O ex-presidente da Câmara de Parobé, Altair Machado, esteve na quartafeira na redação do Jornal Panorama, onde se manifestou sobre o relatório final da CPI que investigou a sua gestão. Se disse perseguido politicamente, pois quando presidente enxugou gastos da Câmara e cortou cargos de confiança. Além disso, afirmou que nunca se envolveu em nenhum dos problemas relacionados à Prefeitura de Parobé, na gestão da ex-prefeita Gilda Kirsch, mesmo sendo do seu partido. O vereador anunciou que buscará na Justiça a anulação do documento.
Machado disse que todas as situações apontadas no relatório são falsas. Segundo ele, o profissional que no relatório constava contratado como assessor de imprensa era, na verdade, seu chefe de gabinete, e apenas indicou uma empresa, que não é de sua propriedade, para produzir jornais para a Câmara de Vereadores. Destacou que a mesma empresa sempre manteve contrato com o Legislativo, inclusive na gestão de seus opositores, como o ex-presidente Jorge Silva (PTB), que antecedeu Machado à frente do Legislativo.
Quanto à compra de gêneros alimentícios, disse que o mercado apontado como sendo de propriedade do seu irmão no relatório está errado. Segundo ele, seu irmão possui outro mercado em Parobé, que nunca recebeu qualquer compra da Câmara durante sua gestão. Ele afirmou que pedirá ao próprio Legislativo que apresente as notas fiscais para ratificar que é mentira a acusação de que fez compras no mercado de seu irmão.
Com relação ao contrato com a empresa de segurança, destacou que os serviços sempre foram prestados conforme previsto no contrato e eram fiscalizados pela própria Câmara. Sobre o fato de desconhecer os seguranças, como afirmado durante a leitura do relatório pelo vereador Vandro da Silva, Machado disse que eles trabalhavam em sistema de rodízio, o que impossibilitava que conhecesse todos os profissionais. Machado considerou um abuso de poder o fato de não ter tido a oportunidade de se manifestar durante a sessão, para se defender das acusações, e também disse que não tem nenhum receio com relação à aprovação do relatório da CPI, pois o documento estaria errado.
Altair Machado ainda sofreu um requerimento de cassação do seu mandato, com base na aprovação do relatório pela CPI, impetrado pelo ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Jorge Silva, que, em 2012, liderou processo que culminou na retirada de Machado da presidência da Câmara, após o processo eleitoral. O documento de Silva foi apresentado na sessão de terça-feira, mas acabou derrubado por oito votos contra seis. Para Altair Machado, este fato comprova o interesse político nas acusações contra ele.


