Após a matéria publicada na semana passada, com entrevista do prefeito Tito Lívio Jaeger Filho falando em perda de recursos para obras causada por problemas na gestão anterior, o ex-prefeito Délcio Hugentobler procurou o Jornal Panorama para se manifestar, nesta semana. O ex-chefe do Executivo entregou manifestação escrita falando em “restabelecimento da verdade”. Panorama reproduz trechos da resposta e da entrevista concedida, em que o ex-prefeito contrapõe os fatos divulgados na semana passada.
Quanto à obra de canalização da rua Pinheiro Machado, Délcio relembra explicações publicadas por Panorama ainda em fevereiro. Segundo o ex-prefeito, a Caixa não liberou a realização da obra antes da eleição municipal e, após o pleito, o banco voltou atrás e exigiu um estudo hidrológico e outros documentos. Porém, conforme Délcio, não havia mais tempo, nem orçamento e muito menos dinheiro para realizar o estudo. O ex-prefeito ponderou que, agora, sobram os recursos de R$ 2 milhões a título de contrapartida que foram obtidos por meio de empréstimo, valor que será economizado pela Prefeitura.
Délcio ainda informou que celebrou 14 termos aditivos com a Caixa Econômica Federal (CEF) para prorrogação de todos os convênios firmados até o dia 30 de dezembro, em nome de diversos ministérios. Com isso, segundo o ex-prefeito, todos os convênios que deveriam ser prorrogados tiveram este procedimento realizado. Quanto à construção de 10 unidades habitacionais, Hugentobler disse que o ministério responsável não repassou os recursos, “portanto não havia como licitar, nem fazer as casas, muito menos pagar e, portanto, não havia em 31 de dezembro prestação de contas a fazer”. O ex-prefeito cita que há crédito aprovado, não citado por Titinho, para a construção de 240 casas, bastando que o atual governo contate a Secretaria Nacional de Habitação.
No tocante ao projeto de videomonitoramento, Délcio disse que Titinho não está informado sobre o prazo de prestação de contas. Segundo o ex-prefeito, como a vigência do contrato era até 31 de dezembro, o Ministério da Justiça, assim como todos os demais em qualquer convênio, oferece o prazo de 60 dias para prestação de contas, o que expiraria em 28 de fevereiro. Portanto, conforme Hugentobler, caberia à nova administração ter feito a prestação de contas. Délcio entregou cópia de um pedido seu, protocolado em 19 de fevereiro, em que solicitou ao governo a cópia da prestação de contas. Lembrou ainda que, no ato de transmissão de cargo, havia solicitado pessoalmente a Tito a prestação de contas. Délcio disse que o procedimento só não foi feito no seu governo tendo em vista que a concessionária de energia não fez a ligação elétrica em dois postes, “tudo em função de que, de forma antiética, o atual prefeito procurou a RGE, ainda em 2012, atrapalhando a negociação para parcelamento da dívida história do município com a RGE”, comentou Délcio.
O ex-prefeito teceu críticas à administração de Titinho com relação às decisões tomadas sobre a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e ao projeto da oncologia, afirmando que é um atraso para Taquara a possibilidade de perder estas obras. Ainda contestou a suposta dívida da Prefeitura, que, segundo Titinho, seria de R$ 50 milhões, alegando que documentos repassados ao Tribunal de Contas mostram que os números são menores. Délcio citou, também, recursos encaminhados que deixou para o município, dizendo que nenhum prefeito, como Titinho, assumiu a Prefeitura em tão boas condições. Afirmou, ainda, que deixou o Executivo numa situação de equilíbrio financeiro.


