Excesso de ruído pode afetar a fertilidade humana e doenças causadas pelo trabalho causam uma morte a cada três horas e meia. Estes foram dois alertas que a diretora da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho) no Rio Grande do Sul, Maria Muccillo, fez durante palestra promovida na sede do Sindicato dos Sapateiros de Parobé, no último dia 26.
O evento marcou o encerramento de uma semana de ações em lembrança ao Dia Mundial da Segurança em Saúde e que também visa a homenagear as vítimas das doenças do trabalho, que transcorre em 28 de abril, conforme determinação da Organização Internacional do Trabalho. Cerca de 90 pessoas participaram da palestra de Maria Muccillo, no salão de festas do sindicato, reunindo diretores da entidade, alunos de cursos e representantes de empresas. A palestrante iniciou falando sobre a entidade que dirige, explicando que a Fundacentro é uma fundação estatal que tem como objetivo principal realizar pesquisas e fornecer orientações na área de segurança em saúde. O resultado destas pesquisas é divulgado a todos os interessados e tem ajudado a nortear a elaboração de legislação que proteja os trabalhadores dos riscos decorrentes das más condições de trabalho.
Entre as revelações feitas pela diretora da Fundacentro, duas assustaram os participantes: a comprovação científica de que ruído em excesso causa impotência masculina e reduz a fertilidade das mulheres. Além disso, Muccillo expôs dados que apontam que, conforme estatísticas dos últimos anos, no Brasil ocorriam uma morte a cada três horas e meia, causadas por doenças contraídas no ambiente de trabalho, além de que 83 acidentes de trabalho ou doenças são provocados a cada hora, o que causaria um prejuízo de R$ 14 bilhões de aos cofres da Previdência Social.
A diretora da Fundacentro também ressaltou a importância do uso de equipamentos de proteção, mas salientou que a responsabilidade de oferecer as condições adequadas é dos donos da empresas. Maria Muccillo lembrou que as empresas têm o direito de fazer o exame admissional, para saber que estão contratando um funcionário saudável, mas que por outro lado tem o dever de garantir que este mesmo trabalhador não vai ficar doente dentro do local de atuação.


