A Associação Protetora dos Animais de Taquara (Apata) confirmou, nesta semana, que poderá interromper os atendimentos à população devido às dificuldades em quitar seus débitos. A associação informou que, se não for possível pagar suas dívidas, o seu telefone será desligado e os voluntários não poderão mais aceitar pedidos de resgate.
De acordo com integrante da Associação, Fernanda Branchine, os taquarenses deverão recorrer aos órgãos municipais para qualquer atendimento referente a animais de rua. Segundo ela, mesmo não fazendo atendimentos, a Apata não tem como parar suas atividades totalmente, pois possui, hoje, mais de 50 animais sob sua tutela em lares temporários e clínicas. “Vamos continuar cuidando deles até a sua adoção, o que significa continuar correndo atrás de dinheiro para custear seus atendimentos, hospedagem, ração e remédios. Se conseguirmos quitar os débitos, vamos primeiro obter os recursos, para depois atendermos. Não será possível seguir dessa forma, dando atendimento sem saber se teremos como honrar as contas”, explicou.
Após ter divulgado um comunicado público sobre as dificuldades, a associação vem recebendo alguns apoios da comunidade. “Podemos dizer que temos o equivalente a 20% do valor para quitar os débitos, o que ainda é uma quantia muito baixa. Acompanhamos a mobilização de muitas pessoas pelas redes sociais, mas o quadro geral continua o mesmo. Enquanto algumas pessoas ajudam, outras ligam para a Apata para avisar que estão abandonando seus bichos, muitas vezes com ninhadas, porque não querem mais. Ou seja, a falta de consciência de alguns custa caro para muitos”, observou Fernanda.
No último ano a Apata atendeu cerca de 230 animais. Somente em 2013, de janeiro a abril, os números já estão próximos dos 250 atendimentos. Fernanda informou que, dos R$ 20 mil em débitos, quase R$ 5 mil são apenas referentes às vacinas das ninhadas atendidas. “Se houvesse mais castração, muitas dessas ninhadas seriam evitadas. E o mais curioso é que a maioria das ninhadas não é de animais de rua, mas de animais que têm donos. Pessoas que colocam os filhotes em caixas e abandonam nas ruas desertas do município. Se esses animais não forem castrados, essa situação se repetirá duas vezes por ano, nos dois períodos de reprodução dos cães”, alertou.
Voluntários se dividem e atuam em tarefas específicas
A Apata conta com 17 voluntários, sendo que muitos atuam em tarefas específicas, como a confecção de produtos, por exemplo. “Alguns adotaram primeiro e se tornaram voluntários depois justamente por acompanhar o trabalho da entidade e querer ajudar, disse Fernanda Branchine. Na minha família, dos cinco animais de estimação que temos, uma cadelinha e uma gatinha foram adotadas da Apata, os outros foram resgatados e adotados por nós antes de entrarmos para a ONG. Entre os voluntários, temos vários casos de adoção de mais de um animal”, relatou Fernanda, acrescentando que, neste sábado, em caso de tempo bom, haverá uma feira de adoção na Praça Marechal Deodoro, seguida por uma reunião de adesão de novos voluntários.
Fernanda salientou que um significativo valor é gasto em tratamentos de doenças causadas pela negligência ou maus tratos das pessoas. “São casos severos de sarna, desnutrição, queimaduras, machucados, cinomose, entre outros. Tudo isso poderia ter sido evitado se as pessoas cuidassem e vacinassem seus animais”, contou ela, relembrando que não tiveram mais nenhuma manifestação oficial da Prefeitura.
Após a reunião que ocorreu no início do ano, com o intuito de formar um grupo de trabalho para conduzir a questão dos atendimentos aos animais em Taquara, não houve mais contato com a administração. “O convênio do município com a Clínica Saúde Animal, de Gramado, continua em vigor. Por esse motivo, solicitamos à população que passe a contatar a Secretaria de Meio Ambiente para os atendimentos necessários, assim eles podem ser encaminhados pelo convênio, sem gerar mais débitos para a Apata”, esclareceu.
O secretário de Meio Ambiente, Laoni Diedrich, afirmou que o convênio foi renovado com a Clínica Saúde Animal, que realiza entre dois e três atendimentos por semana no município. “Todos os animais que são atendidos retornam da clínica castrados. Nossa ideia é conseguir uma parceria com uma clínica da região, após abrir outra licitação. Por enquanto, quem precisar relatar algum atendimento tem que entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente através do telefone 3541-9200.


