Cultura e Lazer

Com décadas de dedicação, escultor possui obras por todo o País

IGREJINHA – Há cerca de 42 anos, o então prefeito da cidade, Hugo Sperb, precisava de um brasão militar a

IGREJINHA – Há cerca de 42 anos, o então prefeito da cidade, Hugo Sperb, precisava de um brasão militar a ser usado pela administração. Um de seus encarregados por conseguir a peça disse que havia um artesão no município que poderia construí-lo. Hoje, o artista Orivaldo Ross tem suas obras expostas por todo o País, sendo frequentemente vistas em palácios e sedes de órgãos governamentais. Só para o Exército foram mais de 200 criações.
Com seu ateliê repleto de obras, Galã, como é conhecido, afirma que “a inspiração não tem explicação. Ela simplesmente acontece e pronto”, disse. Através de suas obras, o artista participa de várias exposições e já percorreu o Brasil. “Minhas peças já estiveram expostas na Casa de Cultura Mário Quintana, Gramado, Osório, Brasília e, através do Exército, elas podem ser vistas de Roraima ao município de São Jorge”, comentou.
Galã começou suas criações quando criança, sendo que hoje ainda possui peças em madeira que fez quando tinha 11 anos. Atualmente, a maioria das esculturas são montadas em uma massa específica para modelar, substituta da argila armada, e depois recebem camadas de fibra de vidro, pintura e outros materiais. “Eu uso todas as matérias primas possíveis, desde a madeira ao ferro e componentes químicos”, disse o artista.
Dentre suas principais obras, se destacam duas molduras de pinturas construídas a pedido do governo. Uma delas, intitulada de Ardor e Glória, mede 8 x 2,20 metros e está exposta em Osório, onde sua pintura conta a história de Marechal Osório. A segunda é maior, com 12 x 2,20 metros e 360 quilos. Chama-se Fiéis Soldados e está exposta na sede da AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras), onde narra a história do Exército Brasileiro; “dos Guararapes às unidades de Brasília”, disse seu criador.
Natural de Três Coroas, Orivaldo recebeu vários prêmios de reconhecimento ao longo dos anos. “Já recebi todos os títulos honoríficos com os quais a cidade pode agraciar alguém, até que, por fim, me honraram ao me naturalizar igrejinhense”, contou. Entretanto, o artista lamenta a falta de incentivos. “Existe o interesse pela arte, o que falta é investimento. Gramado, por exemplo, nasceu com uma feira de artesanato que revelou o potencial turístico do local. No Brasil, ainda mais no interior, sobreviver da arte é um ato de heroísmo. Se não fosse as obras que fiz para o Exército, não teria como viver”, disse. O artista vive há décadas no mesmo local, situado na rua João Correa, nos fundos do Restaurante Orocatto.

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