Assim que assumiu o cargo de prefeito, Tito Lívio Jaeger Filho anunciou que faria uma auditoria para avaliar a situação do Executivo. O trabalho foi realizado desde o dia 3 de janeiro pela empresa Gestão Ltda., composta pelos técnicos Jorge Bento de Souza, Mário Kemphel da Rosa, Alexandre Wohlgemuth de Souza e Gustavo Wohlgemuth de Souza. Segundo o Portal da Transparência da Prefeitura de Taquara, o levantamento custou R$ 7.980,00.
Na última sexta-feira, o chefe do Executivo entregou cópia do levantamento à reportagem do Panorama, que apresenta alguns dos resultados mais relevantes do trabalho. Os dados mostram a situação da administração taquarense, ressalvando que detalhes de questões, como a dívida do Executivo, já tinham sido apresentados por Titinho em entrevista coletiva há duas semanas. No texto introdutório, a contratação da auditoria é justificada “em razão de não ter ocorrido a transição de governo formalmente, onde, de forma antecipada, a nova equipe de governo pudesse ter acesso aos documentos e informações necessários”.
O relatório demonstra a situação dos cargos em comissão. Ao todo, a administração possui vagas para 115 cargos, além de oito secretários municipais. Os responsáveis pela auditoria recomendaram que Titinho avaliasse todos os cargos em comissão, funções gratificadas e regimes especiais de dedicação. No tocante ao setor de pessoal, um detalhe importante está descrito no relatório: “constatamos que o controle de efetividade é precário. O registro ponto localizado no prédio sede da Prefeitura não é interligado com o setor de pessoal, ou seja, os registros que estão sendo realizados no ponto eletrônico não servem para nada. Além disso, algumas secretarias não estão encaminhando a efetividade para o setor de pessoal”, descreveu o relatório.
Houve problemas, também, na retenção do imposto de renda de funcionários da Prefeitura, na folha de dezembro de 2012. A auditoria apontou um total de R$ 22.788,64 em serviços e aquisições de materiais realizados sem ordem de compra e sem empenho prévio. O relatório aponta que a ordem para não emissão de ordens de compra foi emitida pelo ex-prefeito Délcio Hugentobler, ainda em novembro. No levantamento, os técnicos recomendam a verificação dos serviços prestados para a emissão de empenhos. A auditoria evidencia ainda os R$ 2.965.196,38 em débitos com o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que foram parcelados neste ano.
No tocante à cobrança de tributos, a auditoria evidenciou que a maior parte das cobranças da Prefeitura é feita nos dois caixas atualmente existentes, recomendando que seja adotada a modalidade de cobrança bancária, a fim de conferir mais segurança ao sistema. A auditoria ainda fez uma série de recomendações para melhorar o sistema de controle patrimonial do Executivo, que estava sendo feito por apenas um servidor. A conferência física dos bens patrimoniais apontou a falta de alguns itens, mas o próprio relatório aponta a possibilidade de que alguns objetos tenham sido leiloados. De qualquer forma, o relatório destaca que, mesmo com a venda, o sistema de controle da Prefeitura não foi atualizado, evidenciando a discrepância.


