Esse negócio do “politicamente correto” tem me instigado a rever alguns conceitos e a me rebelar contra outros, inclusive questionando o que quer dizer, exatamente, a própria expressão. O que significa ser “politicamente correto”? Agir de acordo com o que eu acredito ou com o que a maioria espera de mim? Mas o que é “certo” para mim pode ser totalmente “errado” para outros, embora eu discorde, também, dos critérios de quem determina o que é certo e o que é errado; o que é normal ou anormal; o que deve e o que não deve ser feito.
Algumas convenções sociais, atualmente, me parecem totalmente fora de contexto, praticadas indiscriminadamente para não ficar chato diante dos que nos observam. Bullyng, preconceito e homofobia deveriam ser sempre estigmatizadas como atitudes ignorantes, grosseiras e mal-educadas. Nada a ver com o tal de “politicamente correto”. Menosprezar e debochar dos semelhantes e de suas escolhas sempre foi, para mim, ao menos, demonstração de quem não tem espelho em casa e só enxerga, quando vê alguma coisa, o seu próprio umbigo.
Na semana passada, ouvi, pasma, várias pessoas comentando matéria com um casal homossexual publicada no Jornal Panorama, por ocasião do Dia dos Namorados. Alguns mais exaltados se sentiram quase ofendidos diante de sua parca moral, sempre de prontidão, na fila, de carteirinha, dos que se julgam “politicamente corretos”. Outros elogiaram a iniciativa do jornal, destacando a matéria como algo absolutamente normal, sem sobressaltos, sem apologia a nada, sem julgamento. E segue a vida com tudo o que ela nos oferece, quer gostamos ou não.
Diante da polêmica que só existe na cabeça de alguns, defendo sempre a liberdade de expressão e de pensamento. Por mais que eu discorde e brigue pelos meus ideais, concordarei com os demais em opinarem contra, mas sem falso moralismo, por favor; sem credo religioso; sem preconceito. Não há diálogo ou qualquer troca que se sustente por mais de cinco minutos quando esbarramos em cidadãos sem bagagem, sem experiência e sem vivência, mas cheios de argumentos “politicamente corretos”.
Isso me cheira à censura disfarçada de bons modos, à ditadura, à tirania camuflada, ao ranço de um passado que não nos serve mais. Por isso, temo o pensamento unânime, a maioria “politicamente correta”, a boiada que segue sem se rebelar, sem questionar, no rastro dos iguais.
Viver o diferente é fazer a diferença. Sair da zona de conforto pode incomodar um pouco, mas logo descobrimos que a liberdade de sermos únicos e verdadeiros conosco mesmos é a coisa mais “correta” que podemos fazer e deixar de legado à maioria dos jovens, principalmente, muitos deles já pasteurizados pelo que engolem diariamente, sem digerir.
Esta postagem foi publicada em 14 de junho de 2013 e está arquivada em Paralelas.


