Informática
Esta postagem foi publicada em 12 de julho de 2013 e está arquivada em Informática.

Tem mais gente lendo seus e-mails

Sim, estamos sendo analisados. Se você usa um telefone (mesmo os fixos, convencionais), Facebook, manda e-mails, conversa pelo MSN ou Skype, você provavelmente já teve seus dados vasculhados por programas de espionagem, principalmente pelos do governo americano.
O escândalo foi aparecendo aos poucos. No início do mês passado, os jornais Guardian e Washington Post revelaram o PRISM, sistema que obtém dados de empresas de telefonia e de algumas das principais empresas de tecnologia do mundo: Microsoft, Google, Facebook, Yahoo!, Apple, YouTube e Skype. Podemos imaginar o PRISM como um grande filtro e pesquisador de padrões e de relacionamentos. Se você em algum momento cita algum termo considerado suspeito pelos programas de espionagem, ou por algum motivo troca e-mails ou ligações com algum país considerado perigoso, imediatamente passa a ter toda a sua comunicação espionada.
O relatado acima não é uma suspeita, teve que ser admitido pelo próprio governo americano e pelas empresas envolvidas. A única desculpa utilizada é que “não coletamos dados, mas sim metadados”. Metadado seria a informação que “Marcelo ligou para Flavia no dia 20 de maio”, e não o que nós conversamos. Mas no momento que algo no meu padrão de ligações passasse a ser suspeito (por exemplo, Marcelo começou a ligar muito para alguém da Coréia do Norte), bom, então a Justiça americana autoriza o governo a verificar o conteúdo das conversas do Marcelo, dos seus e-mails, o que anda pesquisando no Google e até por onde tem caminhado (sim, nossos telefones celulares, mesmo os mais antigos e simples, registram constantemente as regiões das cidades por onde andamos, através das antenas utilizadas pelo aparelho).
Você pode estar pensando: “espera aí, o governo americano não vai conseguir esse tipo de informação aqui dentro do Brasil”. Pois bem, aí entramos na continuidade do escândalo, que foi divulgado pelo jornal O Globo no final de semana passado. O Brasil não só é monitorado, como em alguns momentos foi o país mais espionado além dos próprios EUA. Mais: empresas de telefonia do mundo inteiro precisam trocar informações a fim de possibilitar que pessoas do mundo todo se comuniquem. Pois através desses acordos de trocas de dados, empresas americanas de telefonia estariam obtendo dados de empresas brasileiras, possibilitando então a espionagem dentro do nosso território. Obviamente isso está gerando indignação por parte do governo do Brasil, que cobra explicações oficiais do governo americano.
A coisa é tão constrangedora para os EUA, que um dos responsáveis pelas divulgações, o técnico em computação Edward Snowden, americano que por muitos anos trabalhou justamente nos softwares de espionagem, está há vários dias sem poder sair do setor internacional do aeroporto de Moscou, aguardando que algum país lhe forneça asilo, pois nos EUA é considerado criminoso por ter liberado tais informações secretas. Mais: por ser suspeito de querer ajudar Snowden, o presidente da Bolívia, Evo Morales, teve seu avião retido por várias horas num aeroporto austríaco, e os governos de Portugal, Espanha, França e Itália recusaram que o avião presidencial fizesse escala nos seus territórios. O próprio Brasil se negou a responder o pedido de asilo feito por Snowden.
Houve época que alguns achavam exagero quando os EUA foram apelidados de “os xerifes do mundo”. Outra: não gosta do Big Brother? Pois não há saída, estamos todos nele.

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