Não tenho certeza se este título faz parte de algum filme ou livro, sei apenas que, após circular por alguns locais de nossa cidade, foi a mensagem que me ocorreu para escrever este texto.
Aconteceu num domingo pela manhã, durante minha costumeira caminhada, ao constatar o desleixo de alguns moradores com nossas vias públicas. Fiquei imaginando se estas pessoas esperam algum “milagre” para resolver os problemas do lixo das ruas, ou, talvez, consideram que a comunidade não se importe de viver em pocilgas.
Não entendo, por exemplo, como alguns comerciantes possam encerrar suas atividades à noite e “espalhar” seu lixo, displicentemente, pelo passeio público à mercê de cães e vândalos. Outros, como se os entulhos e cortes de árvores tivessem vida própria, simplesmente os “depositam” nas calçadas, aguardando o tal “milagre”, para que desapareçam num passe de mágica.
Outro dia, por exemplo, a poucos metros de nosso belo Palácio Municipal, havia um latão com resíduos de uma tinta azul, deixado, displicentemente, na calçada. Pois não deu outra, algum desocupado, vendo a oportunidade de emporcalhar a cidade, virou a tal lata na sarjeta. Só não entendo como alguém pode, no ponto mais central da cidade, descartar algo tão poluente e sujo. E vejam que a lata ficou no local por vários dias, “pedindo” que algum idiota a virasse, o que, como se esperava, acabou acontecendo. Parabéns a quem teve a “brilhante” ideia.
Mas tem mais, próximo de minha casa estou convivendo com calçadas obstruídas por restos de vegetação e resíduos de obras. Uma situação que já perdura por semanas. Sei, evidentemente, que isto não chega a ser um “privilégio” meu, basta circular por várias outras ruas, para ver situações idênticas e até piores.
Mais um fato: quase defronte à minha casa, há mais de um mês, está se formando uma cratera no leito da rua, decorrente, provavelmente, do rompimento de alguma canalização de esgoto pluvial. Antes que um acidente ocorresse, fiz a minha parte, e após sinalizar com alguns galhos de árvore, compareci à Prefeitura no dia 29/07 e protocolei um pedido de providências. Para não dizer que nada foi feito, após dois telefonemas posteriores, colocaram um cavalete. Pelo que informaram, aguardam uma retroescavadeira para resolver o problema.
Mas não para por aí, próximo a esta tal cratera, um pouco mais acima e já completando mais de um ano, nasceu um pé de cinamomo que está se desenvolvendo e crescendo a cada dia que passa. Isto não seria problema se a árvore estivesse na calçada. Acontece, porém, que está sobre a pista de rolamento e, brevemente, suas raízes estarão prejudicando a canalização que passa no local, ou talvez, bem antes disto, causando um acidente com algum veículo. Pensei em arrancá-la, mas informaram-me de que poderia ser multado, pois tal procedimento cabe à Secretaria do Meio Ambiente, que já teria sido avisada. Pois eu estou avisando novamente.
Se tivesse mais “espaço” em meu computador e tivesse certeza de que adiantaria, poderia ficar comentando muitas outras irregularidades sobre nossas ruas e calçadas. Ficaria, certamente, falando dias e dias sobre situações inacreditáveis. Mas sem me estender demais, gostaria apenas de entender como uma calçada central, na esquina da rua Tristão Monteiro com a rua General Frota, a menos de 100 metros de nossa bela Prefeitura, pode estar no estado em que se encontra. Uma situação, que me lembre, já perdura há muitos anos. No local, apesar de ser uma rua central, além de termos que conviver com o deprimente visual dos “escombros” da Casa Vidal, simplesmente não existe calçamento, apenas um “buraco” que obriga todos, incluindo pessoas idosas, deficientes físicos e mães com carrinhos de bebês, a disputar com carros e ônibus, um espaço que deveria estar à disposição da comunidade e que é um direito de todo cidadão, com ou sem deficiência. Mas a quem reclamar?
(…)
Resta assim, o registro de minha indignação para com todos os responsáveis pelo estado deplorável em que se encontra nosso município. Imagino que um pouco de bom senso e respeito com os demais moradores desta cidade, junto com uma fiscalização mais atuante do nosso Poder Público, seria um bom começo para termos uma cidade mais limpa, segura e mais agradável.
Entretanto, se nada disto for possível e antes que alguém sofra um acidente por total falta de respeito e de educação de uns poucos, resta-me apenas ficar à espera de um milagre para que os problemas “desapareçam”. E, enquanto isto, vou continuar pedindo desculpas aos amigos de fora, que me visitam, pelo péssimo visual causado pelo desleixo e falta de educação de certos moradores locais.
Dagoberto Velho, arquiteto, de Taquara


