Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 6 de setembro de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Interesses

Qual é o sentido da visita de um chefe de estado? Interesses, é claro. Sempre interesses. Somos movidos por eles e eles, em grande parte, se movimentam internamente (quase como algo além). No entanto, os interesses não são números, à maneira de Kant, ou seja, figuras ideais que se movimentam externamente aos nossos desejos, ou necessidades. Os interesses são construídos, socialmente e historicamente, a partir de determinadas necessidades, pessoais ou não. No caso dos Estados e, consequentemente, dos chefes de Estado, os interesses assumem uma outra figura. Afinal, como seres destinados a representar um Estado, uma coletividade, os chefes devem seguir instintos e se movimentar por interesses distintos do que se poderia supor na individualidade. Devem, teoricamente, zelar pelo ‘bem comum’ dos que representam. Em uma assembleia de chefes, então, cada um representa um interesse em específico, o interesse de seu Estado e assim, mediante a política, as discussões, e as hipocrisias, tudo acaba chegando a algum lugar. Assim é que as coisas se movimentam diplomaticamente, ao menos em tese.
Um chefe de Estado, então, pode representar algo que não seja um Estado? Por que o nome? Por que? Interesses?
Novamente, é claro.
Praticamente todas as autoridades brasileiras envolvidas na chegada do Papa justificam, ao serem questionadas acerca dos gastos desta, que a vinda de um chefe de Estado requer alguns preparos e outros esmeros. Então, gastar alguns milhões com a vinda deste ‘chefe’ estaria mais que justificado, ainda mais que ele representa um contingente bem grande de pessoas, orienta-as com suas pregações.
O cristianismo está presente em mais de 32% da população mundial, sendo que, no mínimo, metade deste contingente, é católico. Ou seja, em torno de 1 bilhão de pessoas, no mundo, declaram-se católicas. Devemos fazer uma recepção digna a tal chefe. No entanto, enquanto os outros chefes se encarregam de determinados interesses delimitados por fronteiras, mais ou menos, rígidas, o nosso chefe presente se encarrega de um rebanho um pouco maior e disforme, com grandes heterogeneidades. Dilma controla o bolso, Francisco controla o coração, diriam os céticos.
Então, o que faz um senhor de idade já avançada, representante de grande quinhão de nossas pobres almas no mundo, com algumas posses consideráveis sob a sua responsabilidade (em vários planos), aqui? Aqui em nosso próprio quinhão tropical?
Interesses, novamente.
De que natureza?

Bruno Marques,

graduando em Ciências Sociais, de Taquara

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