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Esta postagem foi publicada em 29 de maio de 2009 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Sete bilhões

plinio1Do “Meu Livro de citações”: Deixe de bobagens, sei que você não tem nojo de coisas banhadas em suor. O seu dinheirinho suado, por exemplo!

SETE BILHÕES

O planeta Terra abriga, mais ou menos, sete bilhões de habitantes humanos, e são eles quem realmente interessam nas opções que venhamos a fazer. Ninguém está dando bola para os totais de vacas, carneiros e moscas existentes. Esses não contam. Apesar de todo o espaço ainda livre na superfície do globo, vivemos balizados pela teoria malthusiana, comprovando-a totalmente ou ridicularizando-a desdenhosamente, dependendo da região em que moremos (no Brasil, fazemos as duas coisas). O fato é que é um bom bocado de gente. Se considerarmos como 25 centímetros a nossa profundidade média – distância entre o limite vertical anterior e o posterior, descartando a Mulher Melancia –, dá para empilhar gente numa viagem de quase três vezes ida e volta até a Lua.
Esse cálculo carece de finalidade científica e/ou estatística. O seu único escopo é deixar bem clara a quantidade de habitantes do planetinha amado e, partindo daí, sim, abordar o verdadeiro tema desta crônica: a originalidade.
A publicidade, num trabalho primoroso de convencimento, nos vendeu a ideia de sermos, cada um de nós, sem similar. Lembrem-se de quantas vezes vocês já ouviram isso e encheram o peito de orgulho e vaidade! Admito até que seja uma boa política de autoajuda pessoal acreditar. É bom crer-se especial. Mas, amiguinhos, não podemos, nem devemos, esquecer a quantidade. Nós somos muitos. A quantidade dificulta a decisão em qualquer coisa que se faça. Como escreveu Alvin Toffler no seu livro O choque do futuro, um dos grandes problemas do porvir seria a multiplicidade de escolhas. Relativamente à época da publicação do livro, 1978, já estamos no futuro. Por isso, me causam espécie estas nossas tentativas, às vezes tresloucadas, de ser diferentes a qualquer preço, julgando estar seguindo uma filosofia de vida. E pior do que a tentativa é acreditar na vitória.
Como pode alguém, vestindo calça jeans, pensar em ser original? Todo o mundo usa jeans. É quase como o nome próprio: todos têm. Como pode uma garota com um brinco metálico pendurado no umbigo supor estar sendo original? Nada contra, mas milhões usam. Até a viagem à Lua, mencionada acima, atropela a diversidade. Mais de um humano a realizou e caminhou sobre a superfície do satélite.
Por isso, quando vocês resolverem comprar alguma briguinha boba, negando-se ao uso de uma simples camiseta, pois “não somos vaquinhas de presépio como os outros”, relaxem. Pensem nos sete bilhões de companheiros de viagem tentando a mesma coisa. É impossível a diferença. A única solução é caprichar para realizar muito bem as suas obrigações. Desta maneira vão, certamente, se tornar diferentes.
Bem, dito isso, voltemos à Mulher Melancia…

Plínio Zíngano

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