Cátia Weber, natural de Santa Rosa, lecionou por 30 anos em rede pública, sendo muitos deles no Poli. Formada em História, aos 64 anos, é casada com João Hernesto Weber, mãe de Cárin, Gustavo e Ingrid e avó de Sofie, de três anos.
Por que optou por ser professora?
Este era um sonho antigo. Acredito que comecei a ter a vontade de ensinar por causa de excelentes professoras que tive. Além disso, na época, ser professora era uma profissão comum entre as mulheres.
Qual a maior dificuldade encontrada na sua carreira?
Lecionei de 1974 a 2004 e, em todo este período, a maior dificuldade dos professores sempre foi a questão salarial. Aliás, sem dúvidas, isso justifica as manifestações que vêm acontecendo pelo País por parte dos docentes. Acredito que todas as manifestações por melhorias reais são válidas e devem ser incentivadas.
Por que a opção pela História?
Por uma professora da disciplina que tive uma vez, ainda no Ensino Médio. Ela conseguiu me mostrar a importância da História para a vida das pessoas.
O que É mais gratificante na profissão?
O aprendizado com os alunos, sem sombra de dúvidas. A convivência com os estudantes resulta em uma grande troca de experiências, opiniões, pontos de vista. Não existe uma transmissão pura e simples, sempre, ao mesmo tempo em que ensinamos o conteúdo, aprendemos valores e outros saberes.
Como foi seu início na atividade política?
Fiz meu ensino médio no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, conhecido pelo envolvimento político de seus alunos em movimentos estudantis. Ali me envolvi fortemente com a política estudantil e não parei mais. Em seguida, nos anos 70, depois de casar e vir morar em Taquara, comecei a lecionar no Poli, onde tínhamos um grande engajamento político de nossos alunos em questões sociais. Havia uma grande discussão das questões que diziam respeito a vida na escola. Em 79, visando ao fim da Ditadura, fizemos a primeira greve do Magistério na cidade. Em 81 fundamos o 32º Núcleo do Cpers/Sindicato, ali lutamos por muitas questões salariais, pedagógicas e políticas. Logo depois, junto do João e do companheiro Olívio Dutra, me dediquei ao PT e, em seguida, iniciei minha especialização em Educação Popular pela Unisinos. Em 1988 e 2012, me candidatei a vereadora e, em 1996, a vice prefeita, numa articulação centro-esquerda em Taquara.
Se você não fosse professora, por qual outra profissão optaria?
Acredito que não conseguiria trabalhar em outro ramo.
O que te tira do sério?
Pessoas que não têm coragem de assumir suas posições publicamente.
Quem você tem como exemplo?
Meus sobrinhos, portadores de uma doença degenerativa. Eles são grandes exemplos de determinação, bom humor, força e amor à vida.
O que gosta de fazer no seu tempo livre?
Ficar no sítio, plantando flores, ajeitando bromélias, cultivando minhas orquídeas num improvisado orquidário e recebendo amigos.
“Diria que cada um deve construir a sua mensagem, e lutar por ela.”


