Falar de amizade em tempos de redes sociais é um negócio estranho. Até a expressão “amigo” não significa mais o que é realmente. Virtualmente, chovem “amizades” de todos os cantos do mundo. Basta um “aceitar” e já temos mais um na nossa lista de milhares adicionados até lotar o perfil.
Mesmo compartilhando e estando, inevitavelmente, inserida neste meio virtual, onde tenho também alguns amigos verdadeiros, procuro reservar os momentos mais nobres (e outros nem tanto) da minha vida para aqueles com quem costumo dividir o brilho no olhar, o choro não contido, a gargalhada na mesa de bar.
Instantes preciosos, intensos ou fugazes, alegres ou tristes, filosóficos ou de jogar conversa fora com quem importa e se importa com o outro. Amizade verdadeira é como assinar um cheque em branco. Você simplesmente confia e acredita. O que não se sustenta e não permanece ao longo da vida, mesmo distante, pode ser qualquer coisa, menos amizade. Cheque sem fundo, provavelmente.
São poucos os amigos que endosso, mas são os melhores. Cada um a seu jeito, com todos os defeitos e qualidades, sobrevivemos na confiança. São poucos e são tudo.
Sujeitos a enganos e calotes, nos resta a fé da escolha, a alegria do encontro, o telefonema no aniversário, a lembrança do porre e as confidências de vidas paralelas. Basta assinar embaixo, sem valor e data pré-determinada.
Amigos comparecem, recolhem os escombros, nos carregam, nos empurram, nos elogiam, nos criticam, nos tornam melhores para eles próprios, irmãos de amor e carinho, gêmeos de alma e de coração, conta conjunta para o resto da vida.
Esta postagem foi publicada em 18 de outubro de 2013 e está arquivada em Paralelas.


